Busca por ingredientes para Caruru aquece feiras de Salvador

O camarão pode ser encontrado por R$ 45,00 ou R$ 56,00 o quilo, enquanto a castanha quebrada custa R$ 45,00 e a inteira, R$ 65,00

Na próxima sexta-feira, 27 de setembro, é celebrado o Dia de São Cosme e Damião, e a procura por ingredientes para o tradicional caruru já movimenta as feiras de Salvador. Na Feira das Sete Portas, o comércio está em ritmo acelerado, com comerciantes e consumidores em busca dos itens essenciais.

Manoel Otávio Araújo Neri, proprietário de uma loja na feira, percebeu um aumento significativo nas vendas. “Desde o início do mês, a procura tem sido boa. Neste final de semana, as pessoas vieram em peso para fazer suas compras. Algumas levam o necessário para um caruru menor, enquanto outras compram em maior quantidade”, conta.

Araújo também observou uma alta nos preços dos ingredientes. O quilo do camarão, por exemplo, subiu de R$ 52,00 para R$ 56,00, enquanto o cento do quiabo passou de R$ 10,00 para R$ 12,00. “Embora os preços tenham aumentado, a situação não está tão ruim quanto poderia estar”, afirmou.

A portuária, Dona Maria Cristina Prats, devota dos santos gêmeos, foi à feira garantir os ingredientes e sentiu o impacto dos preços mais altos por ter deixado a compra para a última hora. “A cada ano, as coisas parecem aumentar. É difícil, mas não posso deixar de comprar, pois é uma tradição. O camarão, sem dúvida, é o item mais caro”, lamentou.

Ela reconheceu que tende a deixar as compras para o último momento. “Sou brasileira, e é sempre assim. Mas vou fazer meu caruru independente de qualquer coisa. É uma alegria para as crianças, e isso é o que importa”, disse, animada para a celebração.

Os preços na Feira das Sete Portas variam conforme o estabelecimento. O camarão pode ser encontrado por R$ 45,00 ou R$ 56,00 o quilo, enquanto a castanha quebrada custa R$ 45,00 e a inteira, R$ 65,00. O litro do azeite de dendê sai por R$ 13,00, e o leite de coco por R$ 6,00. O feijão fradinho está a R$ 8,00 o quilo, e o gengibre a R$ 16,00.

Foto: Romildo de Jesus

Lázaro Boa Morte, produtor cultural, expressou satisfação com os preços e a qualidade dos ingredientes. “Os valores estão acessíveis e justos, especialmente neste período. Prefiro comprar tudo de uma vez, gosto de ter os ingredientes fresquinhos”, afirmou.

A celebração de São Cosme e São Damião remonta ao século III, quando os irmãos se dedicaram ao cuidado dos enfermos, tornando-se conhecidos por sua generosidade. Eles atendiam os doentes sem aceitar pagamento, ganhando o título de “anárgiros”, que significa “sem prata”. Apesar das perseguições, sua fama como benfeitores se espalhou, culminando em sua canonização e celebração até os dias de hoje.

Nascidos em Egéia, na Arábia, por volta do ano 260, dedicaram suas vidas à medicina e à fé cristã. Filhos de Teodata, receberam uma sólida formação cristã, tornando Jesus Cristo o centro de suas existências. Após estudarem na Síria, tornaram-se médicos renomados, conhecidos por sua competência e pelo cuidado desinteressado que ofereciam aos doentes, sempre sem cobrar por seus serviços. Essa prática era uma forma de evangelização, refletindo a caridade e o amor que tinham pelo próximo.

Durante a perseguição aos cristãos sob o imperador Diocleciano, foram presos sob falsas acusações de feitiçaria. No tribunal, defenderam sua fé e o poder de Jesus Cristo. Sua recusa em renunciar à fé resultou em tortura, mas seu legado como padroeiros dos médicos e farmacêuticos perdura, simbolizando a união entre cuidado médico e valores cristãos.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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