‘Nada sobre nós sem nós’: atividades na UFRGS marcam os 200 anos do Quilombo dos Teixeiras

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21 de junho de 2026

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15:00

# ‘Nada sobre nós sem nós’: Atividades na UFRGS marcam os 200 anos do Quilombo dos Teixeiras

Visita das comunidades à Faculdade de Ciências Econômicas será guiada pelo primeiro professor quilombola da UFRGS

Bettina Gehm

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Exposição sobre o Quilombo dos Teixeiras no Memorial do RS, em 2023. Foto: Joana Berwanger/Sul21

Na próxima sexta-feira (26), a UFRGS recebe uma série de atividades com a participação de comunidades quilombolas do estado. O evento marca os 200 anos do , localizado nos municípios de Mostardas e Tavares (RS), e reunirá cerca de 50 visitantes de comunidades vizinhas ao Quilombo ao longo do dia. Hoje, os Teixeiras reúnem cerca de 80 famílias organizadas por uma associação comunitária fundada em 2006.

A programação inclui oficina sobre ingresso na Universidade e visita guiada pelos espaços da UFRGS, especialmente à Faculdade de Ciências Econômicas (FCE). Esta última contará com recepção organizada pelo professor Jorge Amaro, que também acompanhará um grupo de visitantes.

Amaro é o , tendo ingressado como docente em março deste ano. Nascido no Quilombo dos Teixeiras, ele diz ter rompido um ciclo de exclusão educacional e comemora as ações afirmativas que podem abrir as portas do ensino superior à nova geração. Mas, ao mesmo tempo, defende melhores políticas de permanência no ambiente universitário. “Esses jovens, essas pessoas quilombolas, vêm de territórios que são longe dos centros urbanos, de dificuldade de acesso ao transporte, dificuldade de vir para a cidade grande, como a gente diz. Então isso implica em grandes desafios para esse jovem se manter na universidade”, afirma. “Por um lado, a minha entrada \[como professor\] é importante no sentido de espelho, de mobilização, de as pessoas terem uma referência na universidade. Mas, por outro lado, a gente tem esses desafios que precisam ser superados do ponto de vista das desigualdades que ainda acarretam os quilombos do nosso estado”.

Para Amaro, a permanência deve ir além da garantia de transporte e alimentação aos alunos. “Permanência qualificada é que as pessoas possam ser felizes no período em que elas estiverem dentro da universidade”, pontua. “É preciso pensar numa pedagogia que dê conta das demandas do quilombo. O estudante quilombola que chega aqui tem que ter preservado o seu modo de vida, o seu jeito de ser quilombola. Nós temos as políticas para o acesso, agora a gente tem que ter políticas muito mais consistentes para que as pessoas possam permanecer e ter sucesso na sua trajetória educacional”.

Jorge Amaro. Foto: Claudia Lisbôa/Divulgação

Segundo o professor, a visita das comunidades quilombolas à UFRGS tem caráter simbólico e pedagógico. “Exatamente no dia que o Quilombo dos Teixeiras completa 200 anos, e no mês que a Associação Comunitária Quilombo dos Teixeiras completou 20 anos,  a comunidade vai estar presente, teremos membros da comunidade. E não só os mais velhos, como também os mais novos, nós teremos estudantes do ensino médio para que  eles possam ter essa experiência de vir na universidade, de entender um pouco como é a dinâmica da universidade”, destaca. “Uma das questões que para mim são muito importantes é que a minha presença na universidade também seja esse elo de conexão com o quilombo. Essa entrada na universidade também é um ato coletivo, é um ato que vem de uma ancestralidade, construído com gerações de homens e mulheres quilombolas. Eu não cheguei sozinho nessa condição, e nada mais justo do que eu trazer os quilômetros para dentro da universidade”.

Amaro revela que está idealizando disciplinas e projetos de pesquisa e extensão relacionados à questão quilombola. “E sempre praticando o ‘nada sobre nós sem nós’”, enfatiza. “Ou seja, que os meus irmãos e irmãs quilombolas possam estar juntos nessa construção. Que quando eu apresentar meu projeto de pesquisa, o meu projeto de extensão, as minhas disciplinas, eles se sintam de fato representados nelas. Que eu possa trazer um pouco do quilombo para dentro da universidade, que essa seja a primeira de muitas iniciativas para que as comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul possam enxergar, na universidade pública, o espaço que também é delas”.

A programação do evento de sexta-feira também inclui uma sessão de cinema seguida de debate, às 15h, na Sala Redenção, com entrada franca. Serão exibidos dois curta-metragens, com duração aproximada de 20 minutos cada. Com foco em comunidades quilombolas do litoral sul do Estado, os documentários apresentam diferentes perspectivas sobre o Quilombo da Casca e o Quilombo dos Teixeiras, destacando suas trajetórias, culturas, lideranças e singularidades.

Uma das produções acompanha a história de Antônio “Seu Negrinho” de Lima Gomes, importante liderança do Quilombo da Casca, revelando sua relação com as memórias familiares e comunitárias. A outra obra explora aspectos da formação cultural e religiosa do Quilombo dos Teixeiras, evidenciando elementos que constituem a identidade e a riqueza desse território.

Ao longo do dia 26 de junho, também estão previstas apresentações culturais, reforçando a riqueza artística e a identidade das comunidades quilombolas. Em frente à Faculdade de Educação, será realizada uma Feira da Agricultura Familiar, com a participação de agricultores quilombolas que irão comercializar produtos de sua própria produção.

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Fonte: Sul21

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