Mulheres são maioria das chefes de família na Bahia

Do total de domicílios, 51,0% são chefiados por mulheres.

Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados ontem pelo IBGE, comprovam o que muito já vem se falando: as mulheres são a maioria das chefes das famílias baianas e soteropolitanas, responsáveis por botar a comida na mesa, pagar as contas e ainda cuidar da casa e dos filhos.

Já o número de mães solo representa 16,5% dos arranjos domiciliares no Bahia, a 4ª maior proporção entre os estados brasileiros: são 839.092 mulheres nessa condição no estado baiano.

Nacionalmente 14,2% das unidades domésticas eram formadas por mães solo (10.321.127).  O arranjo familiar de mulher com filho(s) e sem cônjuge é ainda mais comum em Salvador, correspondendo a 18,2% do total de unidades domésticas, o que significa 174.751 mulheres na condição de mãe solo.

Fato é que boa parte dessas mães solo fazem parte do grupo das chefas de família. De acordo com o Censo, a proporção de domicílios chefiados por mulheres é maior na Bahia do que no país como um todo. No estado,  elas se tornaram a maioria das responsáveis pelos domicílios chefiando 2.599.921 unidades domésticas, 51,0% do total no território baiano, frente a uma participação de 39,9% em 2010.

Já no Brasil,  as mulheres foram apontadas como responsáveis por 49,1% do total de unidades domésticas (35.631.098 de 72.522.372). Entre os estados, a proporção baiana ficava na 9ª colocação, com Pernambuco (53,9%), Sergipe (53,1%) e Maranhão (53,0%) liderando.

A capital baiana também é formada por esse cenário de mulheres guerreiras e que vão à luta: Salvador é a 3ª capital em com mais mulheres chefes de domicílios. Do total de domicílios, 55,8% são chefiados por mulheres.

“As mulheres baianas, que são maioria negras, sofrem o machismo e o racismo até quando são as que pagam o sustento de todos. É uma exploração da cultura patriarcal”, afirma a socióloga Regina Igreja.

Ou seja, 535.069 lares, de um total de 959.423, são comandados por elas em todos os sentidos, principalmente no sustento da casa.  O percentual da capital baiana empata com  São Luís , no Maranhão,  e muito pouco abaixo dos verificados em Fortaleza/CE (55,9%) e Recife/PE (55,9%).

Outros 187 municípios baianos tinham a maioria dos domicílios sob responsabilidade de uma mulher, totalizando 188 ou 45,1% dos 417. Entram na lista Barrocas (63,6%), São Francisco do Conde (62,1%) e Mirangaba (60,6%).

As informações do Censo Demográfico do IBGE também revelam outras características interessantes do território baiano. O número de pessoas convivendo no mesmo domicílio aumentou 24,1% em 2022, quando comparado com o censo de 2010. Isso quer dizer que as pessoas estão  cada vez mais morando juntas e diminuindo a moradia individual.

“Pode trazer várias interpretações. Os filhos não estão saindo da casa dos pais; os parentes estão optando em morar juntos para economizar… Mas, o mais provável é que os jovens estão conquistando sua independência mais tarde, como já apontaram outras pesquisas”, acrescenta a Igreja.

Em 2010 eram 4.105.494 unidades domésticas – que são conjunto de pessoas -, mas em 12 anos este número cresceu 989.244 unidades domésticas, passando a ser 5.094.738 em 2022.

Casais do mesmo sexo cresceram na Bahia, mas número é pequeno e subnotificado

Os casais homoafetivos cresceram na Bahia  a partir de 2010 (penúltimo Censo) e, para a socióloga Regina Igreja, muito desse crescimento pode ser atribuído às políticas públicas de promoção da diversidade sexual.

Apesar do crescimento, o  Censo Demográfico 2022 aponta um número ainda muito pequeno diante da realidade que pode estar escondida e presa pelos grilhões do preconceito. São apenas 17.206 casais do mesmo sexo registrados pelo Censo.  O outros 2.778.238 (99,4%) são formados por pessoas de sexos diferentes.

“Vale ressaltar que, obviamente, esse número é maior mas as pessoas não assumem e não confidenciam isso aos recenseadores. Tem vergonha. Preferem não falar. Mas sabemos que o número de casais homoafetivos cresceu por vários outros motivos, principalmente com as estatísticas de violência de LGBTfobia que aumentaram. Se aumentaram, é porque os casais estão denunciando mais”, acrescenta a socióloga.

Apesar de representarem apenas 0,34% de todos os arranjos domiciliares do estado, os casais de mesmo sexo tiveram um crescimento expressivo, em 12 anos.

Frente a 2010, quando eram 3.027 (0,07% do total de arranjos domiciliares), o número de casais do mesmo sexo na Bahia quase se multiplicou por seis.

Mesmo assim, o estado caiu no ranking nacional desse indicador, da 8ª menor proporção de domicílios com casais do mesmo sexo em 2010 para a 4ª menor em 2022, acima apenas de Piauí (0,25% dos domicílios com casais do mesmo sexo), Maranhão (0,30%) e Tocantins (0,31%).

No Brasil, havia em 2022, 391.080 casais do mesmo sexo, que representavam 0,54% dos total de arranjos domiciliares do país.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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