AMMAR comemora o aniversário da Baía-de-Todos-os-Santos

O evento destacou o desenvolvimento do Programa de Ação de Proteção Anual (PAPA) para a Baía, conhecida também pelo nome indígena Kirymurê, que em Tupinambá significa “mar de dentro.

Neste 1º de novembro, a Baía-de-Todos-os-Santos celebra 523 anos de história, e a Associação de Mulheres do Mar (AMMAR) comemora essa riqueza natural e cultural por meio de um diálogo focado na governança e sustentabilidade. Em parceria com a Capitania dos Portos, a Associação Comercial da Bahia, Wilson Sons e a Fundação Aleixo Belov, o Episódio 3 da Série de Diálogos Ecossistêmicos reuniu representantes do poder público, ambientalistas, educadores, marisqueiras, pescadores e membros da AMMAR, com o objetivo de fortalecer as bases para uma governança compartilhada na “Capital da Amazônia Azul”.

Com o tema “AMMAR é Cuidar da Baía-de-Todos-os-Santos: Quem Cuida do Quê?”, o evento destacou o desenvolvimento do Programa de Ação de Proteção Anual (PAPA) para a Baía, conhecida também pelo nome indígena Kirymurê, que em Tupinambá significa “mar de dentro”.

Durante o encontro, o Comandante Wellington Lemos Gagno, da Capitania dos Portos, enfatizou a importância da união entre todas as partes interessadas e a inclusão das comunidades locais para fomentar uma economia azul que priorize segurança, sustentabilidade, prevenção da poluição e gestão ecossistêmica de resíduos. “Vejo que o crescimento econômico deve ser sustentável tanto no aspecto ambiental quanto na segurança da navegação. Ambos estão entrelaçados”, completou.

Santiago Campo, presidente da Associação Náutica da Bahia (ANB), reforçou a necessidade de integrar as nascentes dos rios nesse diálogo e destacou o engajamento cidadão como essencial para soluções duradouras. “Estamos unindo forças para proteger nosso patrimônio com economia do mar e responsabilidade socioambiental!”

Márcia Tata Mott, diretora institucional da AMMAR, Luana Pimental, da SEMA, e Eduardo Barros, do INEMA, refletiram sobre os avanços alcançados nos últimos dez anos, desde que a Baía foi designada como sede da Amazônia Azul. Eles ressaltaram melhorias na consciência cidadã, a criação de novas leis e a promoção da educação ambiental. Uine Lopes, pescador e educador do quilombo Bananeiras, chamou a atenção para o passivo ambiental em andamento, especialmente a poluição por metais pesados e a perda de manguezais, que impactam tanto a saúde das comunidades quanto a vida marinha. Marcleide Pinho, marisqueira de Madre de Deus, enfatizou a urgência de regulação e programas educacionais, afirmando que “precisamos ser ouvidos e fazer parte das soluções”.

A diretora de sustentabilidade ESG da AMMAR, Jacqueline Moreno, coordenadora da iniciativa junto com a conselheira Adriana Muniz, destacou a importância da implementação do PAPA para a Baía de Todos os Santos. “Faremos uma importante ecoesão trazendo o conceito da economia circular, biotecnologia, geração de emprego e renda, educação transformadora com desenvolvimento e envolvimento de comunidades cidadãs”, acrescentou. Adriana Medeiros, da Wilson Sons, sugeriu que o próximo episódio dos diálogos continue esse debate, ampliando a mobilização e o engajamento para a concretização do PAPA. Em breve, um manifesto em homenagem à Baía-de-Todos-os-Santos será divulgado, reunindo vozes de diversas esferas para impulsionar a conscientização social.

Baía-de-Todos-os-Santos: Patrimônio a Ser Preservado

A Baía de Todos os Santos, com aproximadamente 1.233 km², é a maior baía do Brasil e a segunda maior do mundo. Localizada na costa da Bahia, destaca-se pela sua biodiversidade e valor histórico-cultural, abrigando manguezais, recifes de corais e uma rica flora e fauna marinha. Reconhecida como Área de Proteção Ambiental (APA) desde 1999, essa região permite o uso sustentável de seus recursos, beneficiando comunidades tradicionais, como pescadores e marisqueiras, que desempenham um papel crucial em sua preservação. O nível de contaminação existente na “Capital da Amazônia Azul” deve ser considerado, assim como o impacto nas comunidades do entorno. Estratégias devem ser elaboradas e implementadas com liderançam compartilhada de forma contínua.

Com o PAPA, a AMMAR reafirma seu compromisso com a proteção da “Capital da Amazônia Azul”, promovendo práticas de governança sustentável e colaborativa para assegurar a preservação desse patrimônio natural e cultural para as futuras gerações.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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