Exposição “Geometria 7.0”, Guel Silveira celebra uma vida dedicada à arte

“Todas as informações que eu tenho nesse momento do meu trabalho atual são memórias do que eu aprendi ao longo desse tempo…”

Como celebração de uma vida dedicada à arte, a exposição “Geometria 7.0”, do artista plástico Guel Silveira, chega ao Museu da Misericórdia, no Centro Histórico de Salvador. A mostra, que reúne 25 trabalhos em acrílico sobre tela, estará aberta ao público, entre 16 de abril e 15 de maio.

Filho do artista sergipano Jenner Augusto, Guel nasceu no meio das artes, convivendo em sua casa com pintores, escultores e escritores como Jorge Amado, Caribé, Mário Cravo e Fernando Coelho. “Minha vida sempre foi muito rica em termos de cultura. Eu sempre fui uma pessoa que participei muito de todas essas atividades em que, não só na minha casa, mas indo a exposições, indo a galerias, indo a leilões, indo a museus”, revela.

Aos sete anos, Guel fez seu primeiro curso de belas artes, no Teatro Castro Alves, com o saudoso Sante Scaldaferri. Foi com Calasans Neto, aos 18 anos, que ele aprendeu a técnica da gravura, até ser aprovado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com obra spray no pátio da escola.

50 ANOS

Em 2025, o artista plástico baiano celebra 50 anos de sua primeira exposição, no Museu da Bahia, que era no Convento do Carmo, com obras em spray, tipo grafismo. “Geometria 7.0”, portanto, marca as comemorações dos seus 70 anos de idade, uma exposição que levará seus últimos trabalhos ao Museu da Misericórdia, com curadoria de Zeca Fernandes, galeria de arte, responsável pelo texto da exposição.

“Todas as informações que eu tenho nesse momento do meu trabalho atual são memórias do que eu aprendi ao longo desse tempo. Inclusive, tem alguns trabalhos que me remetem ao tempo da faculdade. Então, é sempre um aprendizado novo”, afirma.

Segundo Guel, nas obras que estarão expostas, foram usados materiais como sisal e elementos bidimensionais, o que traz relevo aos quadros, fazendo a pintura sair da tela. “Ela foge para o segundo plano, às vezes até no terceiro, dando a sensação de um objeto, de uma escultura. É um trabalho muito voltado para as coisas que eu aprendi durante esses anos de pintura”, explica o artista.

Ao longo de sua trajetória, ele figurou como gravador, pintor abstrato, com experiências em spray, passando pela figuração lírica, retomando a abstração. Antes disso, participou do Panorama da Arte Atual Brasileira em 1974 no MAM de São Paulo e de importantes mostras coletivas pelo Brasil, já realizando exposições individuais em cidades como o Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Aracaju e Salvador. Fora do país, expôs em Paris e Viena.

Ainda sobre suas origens, Guel Silveira conta que nasceu artista. “Acho que a arte veio no sangue, foi uma coisa que a genética, com toda a sua beleza que o mundo nos traz, provou de que a gente nasce determinado para fazer e o artista não tem a escolha, ele nasce artista”, revela.

Sobre a exposição, ele explica que ela é consequência dos quadros que já estão prontos. “Você chega no meu ateliê, você vai encontrar sempre obras feitas recentemente, porque eu trabalho todos os dias, todos os dias eu vou ao ateliê, de manhã e de tarde. E o meu mundo é ali. Quem quiser me encontrar sabe que minha praia, minha montanha, meu lazer, tudo meu é dentro do meu próprio ateliê. Eu não consigo viver sem essa ida diária ao ateliê”, complementa.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

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