Nascido no Subúrbio Ferroviário de Salvador, mais precisamente em Paripe, Cosme de Farias foi lembrado durante a roda de conversa por sua luta incansável por um mundo mais justo
Nascido no Subúrbio Ferroviário de Salvador, mais precisamente em Paripe, Cosme de Farias foi lembrado durante a roda de conversa por sua luta incansável por um mundo mais justo e, principalmente, por uma Bahia livre do racismo e das desigualdades sociais.
Major sem ter servido às Forças Armadas e advogado sem diploma de bacharel, o soteropolitano fez história também como deputado e vereador, sempre levando às últimas consequências seu ideal franciscano de servir aos mais necessitados. Seu nome está eternizado em diversos espaços públicos, incluindo uma praça, uma escola, um bairro, o plenário da Câmara Municipal de Salvador e uma medalha do poder legislativo soteropolitano.
A solenidade no Arquivo Público contou com a presença de Jorge Vieira, diretor do APEB; do desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia e presidente da Comissão de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos, Lidivaldo Britto; do historiador Jair Cardoso; do jornalista e 1º vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa, Luis Guilherme Pontes Tavares; e do vereador Hamilton Assis. Os palestrantes discutiram o contexto histórico-social em que viveu Cosme de Farias, suas ações em defesa das causas populares e sua influência na sociedade baiana e soteropolitana.
SÍMBOLO
Para Luis Guilherme Pontes Tavares, a iniciativa de relembrar Cosme de Farias não apenas resgata sua importância, mas também busca consolidá-lo como um símbolo da Bahia.
“Eu fico me perguntando como é que um camarada tão franzino tinha uma energia e uma capacidade criativa e discursiva em áreas distintas. Porque ele era jornalista, ele era advogado – na verdade, tratado como rábula – e ele era político. Ele teve participação na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa. Ademais, era membro de várias instituições e tocava a Liga Baiana contra o Analfabetismo. Era um combatente e, com isso, fazia o marketing das instituições, sobretudo nos eventos públicos, como Carnaval, Dois de Julho e Sete de Setembro”, comentou.
Provisionado
Cosme de Farias, nascido em 2 de abril de 1875, teve apenas a formação primária, mas tornou-se advogado provisionado e dedicou sua vida à defesa dos mais pobres. Em 1915, fundou a “Liga Baiana contra o Analfabetismo”, instituição que funcionou até a década de 1970 e manteve escolas para a população carente da capital e de outras cidades baianas.
Sua atuação política teve início em 1914, quando foi eleito deputado estadual. Foi vereador por diversos mandatos e, quando faleceu em 1972, ainda ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia, sendo, à época, o mais velho parlamentar do mundo. Patenteado “Major” pela Guarda Nacional em 1909, ele marcou a história política e social da Bahia.
Tavares também compartilhou lembranças pessoais de Cosme de Farias, destacando sua energia e dedicação às causas sociais.
“Eu o vi atendendo pessoas na Igreja de São Domingos, no Terreiro de Jesus, e também o vi almoçando no Pelourinho. Aparentemente debilitado, o homem tinha disposição para comer comidas pesadas como feijoada, mocotó, sarapatel, tomar pinga e beber cerveja. E foi assim praticamente até o final da vida. Ele é nome de praça, nome de escola, nome de medalha, nome de bairro e nome de plenário”, acrescentou.
A celebração dos 150 anos de Cosme de Farias reforçou a relevância de sua trajetória e o compromisso de manter vivo seu legado. O evento convidou a sociedade a refletir sobre a importância da luta pela educação, justiça e igualdade social, valores que marcaram a vida desse ícone baiano. “Um exemplo de baiano a ser seguido”, concluiu Tavares.
Fonte: Tribuna da Bahia







