Bahia registrou uma taxa de desocupação de 10,9% no primeiro trimestre de 2025

Embora os indicadores sinalizem um início de ano mais favorável, os números reforçam a persistência de desafios para o mercado de trabalho baiano

Bahia iniciou o ano de 2025 com sinais positivos no mercado de trabalho, mesmo diante de oscilações típicas do início do ano. Segundo dados da PNAD Contínua, divulgados ontem (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado registrou uma taxa de desocupação de 10,9% no primeiro trimestre, a menor para o período em 13 anos de série histórica, iniciada em 2012.

Apesar da melhora histórica, a taxa baiana ainda é a segunda mais alta entre os 27 estados brasileiros, superada apenas por Pernambuco (11,6%). A média nacional ficou em 7,0%, e o estado com a menor taxa foi Santa Catarina, com apenas 3,0%.

Em números absolutos, a Bahia tinha 6,364 milhões de pessoas ocupadas entre janeiro e março de 2025, o maior contingente já registrado em um primeiro trimestre. Ainda assim, houve uma queda de 158 mil trabalhadores (-2,4%) em relação ao último trimestre de 2024. Já o número de desocupados subiu para 780 mil, um aumento de 8,3% na comparação com o trimestre anterior — embora esse ainda seja o menor total de desempregados para um primeiro trimestre desde o início da série.

A supervisora de disseminação de informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros, explicou que essa movimentação reflete a sazonalidade do mercado. “Como em todos os anos, o mercado de trabalho costuma encolher no início do ano, com a saída de temporários e a retração de algumas atividades. Ainda assim, 2025 começou com os melhores indicadores já vistos para um primeiro trimestre, tanto no número de ocupados quanto na taxa de desemprego”, afirmou.

Ela também destacou que, apesar da melhora nos indicadores locais, a Bahia ainda enfrenta um desafio estrutural, já que mantém historicamente uma das maiores taxas de desocupação do país.

A capital baiana registrou a menor taxa de desocupação de sua série histórica: 9,2% no 1º trimestre de 2025, uma queda frente aos 9,7% registrados no fim de 2024. Pela primeira vez, Salvador ficou fora das três capitais com maiores taxas de desemprego, caindo para a 5ª posição no ranking nacional.

A Região Metropolitana de Salvador (RMS) seguiu a mesma tendência, com a taxa de desocupação em 9,8%, também a menor já registrada desde 2012. A RMS caiu da 2ª para a 4ª posição entre as regiões metropolitanas com maior desemprego, atrás de Recife (11,6%), Rio de Janeiro (10,4%) e João Pessoa (10,3%).

A redução no número de trabalhadores no estado foi puxada principalmente pela queda na ocupação no setor público (-63 mil) e entre empregados sem carteira assinada no setor privado (-39 mil). Outros setores que tiveram retração significativa foram alojamento e alimentação (-61 mil) e agropecuária (-55 mil).

Por outro lado, o rendimento médio real do trabalhador cresceu. Na Bahia, o aumento foi de 2,7%, chegando a R$ 2.213. Em Salvador, o ganho médio subiu 3,6%, e na Região Metropolitana, 2,0%, demonstrando uma leve recuperação no poder de compra dos trabalhadores.

Embora os indicadores sinalizem um início de ano mais favorável, os números reforçam a persistência de desafios para o mercado de trabalho baiano. A taxa de desocupação segue elevada em relação à média nacional, e os dados apontam que o estado ainda está vulnerável a oscilações sazonais e estruturais, especialmente entre os trabalhadores informais e nos setores mais sensíveis à desaceleração econômica.

Para Mariana Viveiros, o momento inspira otimismo cauteloso. “Temos o melhor início de ano desde o começo da série histórica, o que é um bom sinal. Mas o fato de ainda estarmos entre os estados com maior desemprego mostra que o desafio vai além do comportamento pontual e exige políticas consistentes para ampliar e qualificar a ocupação”, concluiu.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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