Instituição apela para apoio da sociedade em razão de grave déficit financeiro
Uma sessão especial agendada para o dia 5 de junho, às 18h, no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, irá marcar as celebrações dos os 60 anos do Hospital Martagão Gesteira. A requisição da vereadora Aladilce Souza visa homenagear o legado de um dos maiores hospitais exclusivamente pediátricos do Norte e Nordeste e referência em alta complexidade, com destaque para áreas de alta complexidade como neurologia, cardiologia e oncologia.
Com 189 leitos, a unidade de saúde realiza mais de 500 mil atendimentos por ano, em 27 especialidades médicas. Somente em 2024, o Martagão foi responsável por mais da metade (66,7%) das cirurgias oncológicas em pacientes de 0 a 14 anos, por 47,9% dos tratamentos oncológicos; por 43,1% das cirurgias cardíacas e por 17,6% das cirurgias neurológicas no estado da Bahia.
Segundo Rosina Bahia, presidente de honra da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (LABCMI), entidade filantrópica que mantém o Hospital Martagão Gesteira, o maior legado da instituição tem sido atender a crianças e jovens de todo o estado, oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS). E para manter a excelência nos serviços prestados, eventos e campanhas são essenciais, pois a ajuda da sociedade tem sido uma alternativa para superar o déficit enfrentado pela entidade, praticamente, todos os meses.
“Sabemos que todas as instituições filantrópicas lutam com muita dificuldade, principalmente a nossa, que é 100% SUS. Então, os nossos recursos que vêm do SUS, eles não cobrem os custos dos procedimentos que são feitos. E, assim sendo, a gente sempre fica correndo atrás do prejuízo. E como fazemos os serviços de altíssima complexidade, que são muito caros, que envolvem também pessoal muito especializado, as despesas são muito altas e não temos condições de receber os recursos, não são reajustados há muitos anos e isso nos dificulta demais. Atualmente, tivemos que fechar duas UTIs justamente por falta de recursos para poder mantê-la”, pontua Rosina Bahia.
Diante deste cenário, as atividades promovidas pelo Martagão são essenciais na promoção da marca e suas necessidades junto à sociedade. Neste ano de celebrações das seis décadas de história da instituição, algumas ações já foram realizadas, como o bolo de 60 metros (distribuído para colaboradores e moradores do bairro do Tororó, onde está localizada a sede da instituição) e o VI Jantar do Bem, que reuniu patrocinadores e centenas participantes, na Pupileira.
Dentre as atividades previstas, ainda estão: a Corrida Colorida, em comemoração à Semana da Criança, quando, provavelmente, acontecerá o lançamento do livro do superintendente, Carlos Emanuel Rocha de Mello; e o McDia Feliz, tradicional campanha com a McDonald’s, que contribui com a realização dos transplantes de medula óssea.
Outras iniciativas que contribuem para a longevidade do Martagão, como o Troco Solidário e o Adote um Leito, são encontradas no site da instituição, inclusive, orientações estão disponíveis sobre como doar. “São muitas formas que a sociedade, como um todo, pode ajudar para, assim, ampliarmos toda a nossa prestação de serviços”, reforçou Bahia, citando as doações espontâneas de gêneros alimentícios, fraldas e a contribuição de parceiros, como o Rotary Club da Bahia.
“Com esses recursos, a gente vai diminuindo o nosso déficit mensal. Infelizmente, está previsto para cerca de R$ 20 milhões o déficit para o fim do ano. Portanto, é importantíssima essa mobilização da sociedade, que entende a importância dessa instituição, que foi o primeiro hospital pediátrico do Norte e do Nordeste do país, e que continua a ser um dos mais importantes”, afirmou a presidente da Liga.
A gestora ainda destacou ainda o reconhecimento da imprensa, de parlamentares e demais políticos, demonstrando gratidão a todos que colaboram com a instituição, “fazendo com que ela possa, cada vez mais, exercer a sua missão de uma melhor forma e ampliar as suas atividades”. Neta do Álvaro Bahia, fundador e idealizador do Hospital Martagão Gesteira, Rosina Bahia se disse honrada em participar destes momentos de celebração de 60 anos de história da instituição, à qual se dedica a 29 anos, abnegadamente.
Tradição e expansão
Na década de 1940, a Bahia sofria com a carência de leitos pediátricos nos maiores hospitais gerais e altos índices de mortalidade infantil. Preocupado com a situação, o pediatra Álvaro Pontes Bahia, que já havia fundado, junto com outros médicos, a LABCMI, para tentar modificar essa realidade, idealiza um hospital para poder ampliar a assistência às crianças baianas.
O Hospital Martagão Gesteira teve sua Pedra Fundamental lançada em 3 de julho de 1946. Mais de cinco décadas depois, consolidou-se como o maior hospital exclusivamente pediátrico do Norte e Nordeste, sendo batizado com o nome de Martagão Gesteira e inaugurado em 17 de março de 1965.
Primeiro, foi aberto o ambulatório e, em seguida, toda a Unidade de Internação. Desde então, passou a agregar novos serviços e melhorando a estrutura da sua sede e seu parque tecnológico, sempre com o apoio e as doações da sociedade baiana.
Com atendimento através do Sistema único de Saúde (SUS), o Martagão é uma instituição filantrópica que atende crianças e adolescentes de todo o estado. Tornou-se referência no atendimento pediátrico, tendo, à frente, um corpo clínico formado pelos mais competentes médicos e especialistas em pediatria da Bahia.
Em 2020, o Martagão também foi o primeiro hospital pediátrico a realizar transplante de medula óssea (TMO) na Bahia, através do SUS. No estado, o procedimento já era realizado por outras unidades de saúde, mas somente em casos a partir dos 14 anos.
O Hospital possui também uma Unidade de Treinamento para Desospitalização (UTD), que acolhe pacientes de longa permanência com comorbidades neurológica, motora e que dependem de tecnologia para manutenção da vida. Na UTD, as mães ou responsáveis são treinados para aprender a cuidar dos seus filhos que têm doenças crônicas em casa.
Caso eles ainda necessitem de acompanhamento médico, o Martagão também disponibiliza o Programa de Assistência Ventilatória Domiciliar (PAVD), no qual profissionais do Hospital vão à casa do paciente oriundo da UTD para oferecer os cuidados necessários. As famílias levam todo o suporte ventilatório, equipamentos, cama, ar-condicionado, todo o aparato necessário para a sobrevivência dessa criança, que retorna ao hospital para revisão e tem a visita semanal da equipe multidisciplinar.
“Pela expertise que temos, além das unidades próprias, nós temos administrado outros hospitais, inclusive públicos, não só aqui na Bahia, mas um grande hospital recém-inaugurado em Maringá, no interior do Paraná”, pontuou Rosina Bahia, acrescentando a qualidade dos serviços prestados no Centro de Atendimento para Autistas, em Lauro de Freitas, e o Instituto de Ensino, Pesquisa e Saúde (IESG).
Fonte: Tribuna da Bahia







