Indústria baiana cresce em empresas e empregos, mas valor gerado recua

De acordo com a pesquisa, o Estado contabilizava 6.507 unidades industriais ativas com cinco ou mais empregados, 5% a mais que no ano anterior

A Bahia encerrou o ano de 2023 com recorde no número de indústrias e empregos no setor, segundo dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), divulgados ontem pelo IBGE. Apesar do avanço estrutural, o valor gerado pela indústria no estado caiu pelo segundo ano consecutivo, o que indica um desafio crescente na produtividade econômica do setor.

De acordo com a pesquisa, o Estado contabilizava 6.507 unidades industriais ativas com cinco ou mais empregados, 5% a mais que no ano anterior. Foi o maior número já registrado na série histórica iniciada em 2007, consolidando a Bahia na oitava posição nacional e como líder industrial no Norte-Nordeste.

No mesmo período, o total de pessoas empregadas na indústria baiana também atingiu um novo recorde: 252.585 trabalhadores, alta de 1,6% em relação a 2022. Foi o terceiro ano consecutivo de crescimento no emprego industrial no estado.

Com esse desempenho, a Bahia voltou ao 8º lugar no ranking nacional de VTI, sendo ultrapassada pelo Amazonas. A participação do estado no valor industrial gerado no país foi de apenas 2,8%. Para efeito de comparação, São Paulo lidera com 34,4% do total.

Para especialistas, os dados da PIA-Empresa 2023 mostram que a indústria baiana segue em expansão em sua base produtiva, mas precisa enfrentar o desafio de aumentar sua eficiência econômica. O crescimento em número de empresas e empregos ainda não se traduz em maior geração de riqueza, o que acende um alerta para os formuladores de políticas públicas e para o setor produtivo local.

Apesar dos avanços em número de empresas e trabalhadores, a indústria baiana perdeu força no que mais conta para a economia: a geração de valor. O Valor da Transformação Industrial (VTI), que representa uma aproximação da contribuição do setor para o PIB, caiu 8,4% em 2023, somando R$ 65 bilhões — R$ 5,9 bilhões a menos do que no ano anterior.

No Nordeste, embora ainda lidere com 33,4% do valor gerado, a Bahia é o estado que mais perdeu espaço desde 2014, quando respondia por 41,2%. A retração vem sendo acompanhada pelo crescimento de estados como Pernambuco e Ceará.

Alimentação em alta – O segmento de alimentos foi o principal motor do crescimento industrial baiano em 2023. Foram 157 novas unidades industriais e 3.164 novos postos de trabalho — o maior aumento absoluto em ambos os quesitos. A indústria alimentícia passou a representar 23% do total de empresas e 19% do total de empregos na indústria do estado. Em termos de valor gerado, o setor também assumiu a liderança, com R$ 10,7 bilhões em VTI, superando pela primeira vez a tradicional indústria química.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

 

 

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