Bloco carnavalesco terá que se adequar ao estatuto e promover inclusão de homens trans após denúncias de discriminação
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Associação Afoxé Filhos de Gandhy para garantir mudanças no estatuto social da entidade, eliminando cláusulas consideradas discriminatórias.
O acordo estabelece a exclusão da regra que restringia a participação no bloco apenas a homens cisgêneros. A partir de agora, o afoxé deverá permitir a inclusão de homens trans, independentemente da identidade de gênero. A medida foi tomada após denúncias de que integrantes transmasculinos foram impedidos de desfilar com o grupo.
Como parte do TAC, a associação se comprometeu a divulgar uma nota pública em seu site e redes sociais afirmando que homens trans são bem-vindos no bloco.
Além disso, o Afoxé Filhos de Gandhy terá que cumprir medidas de reparação social, entre elas:
- Doação de R\$ 10 mil ao Coletivo Mães da Resistência, que apoia famílias de pessoas LGBTI+ vítimas de violência. O valor será destinado a projetos voltados a homens trans;
- Produção de até 400 camisas para o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT).
Neste ano, o bloco completou 76 carnavais, desfilando em Salvador com o tema “Ogum — O Senhor do Ferro, dos Metais e da Tecnologia!”. Os cortejos ocorreram nos dias 2 e 4 de março, no circuito Osmar (Campo Grande), e no dia 3, no circuito Dodô (Barra-Ondina).
Com cerca de quatro mil associados homens, o Filhos de Gandhy já teve como homenageados nomes como Caetano Veloso, que desfilou ao lado de Gilberto Gil, além da participação de artistas como Humberto Carrão, Evaldo Macarrão e Paulo Lessa.
Fonte: Tribuna da Bahia







