Prepare-se para dar boas risadas. Fernando Vita, notável escritor baiano, mistura bom humor e política para falar com seus leitores sobre como uma pequena cidade da Bahia se espantou com a presença de um militar, em 1964, quando o Brasil viveu um golpe que, ao contrário da tentativa recente, deu certo e durou 21 anos. Neste divertidíssimo quinto volume de sua saga na imaginária cidade baiana de Todavia, Fernando Vita nos vem com a história de um capitão do Exército que ali desembarca no trem do meio-dia e é recebido com pompa pelas autoridades locais. A situação política do País é instável. Logo ficam sabendo a que veio o capitão: criar o primeiro Tiro de Guerra da região. E mais: tão rapidamente quanto tenta o militar impor a sua autoridade turrona, toda a sua vida pregressa é esquadrinhada e cai na boca do povo. O lançamento da obra acontecerá no dia 11 de setembro, às 18h, na Livraria Escariz do Shopping Barra.
Fernando Vita constrói seu sexto romance neste universo ficcional provinciano, picaresco e erótico, nos anos política e ideologicamente turbulentos que antecedem o Golpe Militar de 1964. O capitão vê comunistas e inimigos da Pátria em cada canto da prosaica Todavia e a situação piora quando vem o golpe e os dias medonhos que se seguem. Tudo isso escrito com bom humor, criatividade e o surrealismo fantástico que caracterizam todos os seus livros. Então, preparem-se para dar boas risadas com este 1964: o Golpe, o Capitão e o Pum do Maestro, porque rir é ainda o melhor remédio. Mesmo quando se está a tratar de antigas tragédias. Ou tragicomédias. E principalmente quando o Brasil, nos tempos de agora, quase as replica, sob a ardilosa inspiração de um outro capitão tão parvo, tosco e aluado quanto o que um dia chegou a Todavia. Os outros livros da série, que podem ser lidos separados, são: “Cartas anônimas”, “O avião de Noé”, “República dos mentecaptos” e “Désirée, a sexóloga que não sabia amar”. É autor também de “Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela”.
FICHA TÉCNICA
Titulo: 1964 – O golpe, o Capitão e o Pum do Maestro Categoria: Ficção – Romance satírico Autor: Fernando Vita ISBN: 978-65-5647-150-1 (livro impresso) ISBN: 978-65-5647-148-8 (e-book) Brochura – 312 páginas Formato – 15,6×22,5 cm R$ 89,00 – livro impresso – R$ 42,00 – e-book
E o autor se manifesta!
Fernando Vita escreve carta a leitores, livreiros, imprensa e a quem mais interessar possa. E, respeitosamente, pede passagem. Caras e Caros, Preclaras e Preclaros, Amigas e Amigos, e até Inimigas e Inimigos, caso eu os tenha e ainda não o saiba. A ideia de escrever 1964: O Golpe, o Capitão e o Pum do Maestro, que tem como subtítulo Uma história de fardados, desfardados, aluados e assemelhados, numa pequena cidade do Recôncavo da Bahia, quando tudo se deu, persegue o meu juízo há muito tempo.
Diria mesmo que ela vem de antes da escrita de alguns dos meus cinco romances anteriores. E 1964 chega agora tão somente graças à persistência perdigueira com que a ideia de escrevê-lo apoquentava a minha cabeça, de forma abusivamente obsessiva, ano após ano. A Geração
Editorial, ao publicá-lo, traz para mim, ao mesmo tempo, o aval crítico com que os seus editores trataram a obra e a sensação de dever cumprido perante a memória do que vivi em tempos únicos, e sombrios, do Brasil. E se 1964 vem a público, cumpre dizer que, se há culpados, aponto os dois principais. O primeiro deles, o grude na minha memória das lembranças do menino, do que ele viu, ouviu ou leu sobre o golpe militar que subtraiu dos brasileiros vinte e um anos de democracia, em troca de uma rude, parva, cruel e sanguinária ditadura: os dias que o antecederam, aqueloutro em que ele se deu, os tempos tenebrosos e plúmbeos que se seguiram. E o segundo culpado, os anos que o Brasil viveu, de 2018 até 2022, quando a Democracia brasileira mais uma vez se viu ameaçada, perigou deveras sucumbir, naufragar, sob a força de um novo golpe, este, bem vivo ainda cá, em todas as lembranças, esquecer, quem há de?
Verossimilhanças entre um e outro?
Que a História as dirima e registre.
O que faço neste 1964: O Golpe, o Capitão e o Pum do Maestro é narrar, com o bom humor possível, como ele se deu na minha imaginária Todavia, uma pequena cidade do Recôncavo da Bahia, com a porção hilária própria às quarteladas brasileiras, notadamente sob os olhos e o escrutínio dos que vivem nos cantos mais esconsos do Brasil mais profundo. E ainda mais: no 1964 do século passado, tempos em que no Brasil as telecomunicações mal engatinhavam, a televisão também e as pessoas só sabiam das coisas por escutar no rádio ou por ouvir dizer. Arrisco a compartilhar com vocês a Sinopse do 1964, que chegou à Geração como uma espécie de “Comissão de Frente”, abrindo alas ao manuscrito do romance. Primeiro que ela, o título do livro se impôs, soberano, antes mesmo que eu parisse as suas primeiras linhas, tanto a ideia de escrevê-lo me perseguia. E ela resume, em poucas linhas, o que 1964 narra em suas 312 páginas.
Ei-la:
“Todavia, cidade imaginária do Recôncavo da Bahia, primeiros anos da década de sessenta do século passado.
Um atarracado capitão do Exército brasileiro, aparência meio oblonga, tez morena, olhos aquosos e inexpressivos quase sempre protegidos dos sóis inclementes dos dias por um par de óculos Ray-Ban, de nome pomposo, o militar – Ludovico César Roldão Ramos Neto – e porte igual, desembarca no trem do meio-dia na estação da mais que centenária Estrada de Ferro Nazaré. É recebido com pompa e circunstância pelas mais altas autoridades locais e notabilidades outras, além do assim dito povo em geral, com direito a discursos, retreta de filarmônica, espoucar de foguetes nos ares e ademanes tais, tão comuns em recepções iguais, notadamente em pequenos burgos dos mais profundos dos Brasis profundos. E logo, todos os pouco mais de dez mil habitantes de Todavia, onde é célebre a prática do disse me disse e profícua a atividade dos leva-e-traz, ficam a saber a que veio o Capitão Ludovico: criar o primeiro Tiro de Guerra da região, o TG115, eis a sua missão. E mais: tão rapidamente quanto tenta o militar impor a sua autoridade turrona, a cobrar de uns e outros continências, subserviências, favores, bandeiras hasteadas em permanente vigília cívica e rapapés de igual monta, toda a sua vida pregressa, marcada, na caserna ou fora dela, por um emaranhado de
insólitos e tragicômicos episódios, é esquadrinhada e vira arroz de festa na boca do povo. É neste universo ficcional divertidamente provinciano, intensamente picaresco e erótico, nos anos política e ideologicamente turbulentos que antecedem o Golpe Militar de 1964, com o Capitão Ludovico a ver, em cada canto, em cada esquina da prosaica Todavia, comunistas e inimigos outros da Pátria a conspirar contra ela, a querer tomar o poder, sempre a soldo do “Ouro de Moscou”. Na ocorrência do Golpe em si mesmo e nos dias medonhos que se seguem, em Todavia e até fora dela, na Cidade da Bahia e no resto do Brasil, que o autor constrói o seu sexto romance para a Geração Editorial, depois de Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela (2006); Cartas Anônimas (2011); O avião de Noé (2016); República dos Mentecaptos (2019) e Desirée, a sexóloga que não sabia amar (2021). E o faz com o bom humor, inventividade e até com a dose certa de surrealismo fantástico, em pitadas soltas na trama, que caracterizam todos os livros, que, à exceção do primeiro, têm sempre como cena a sua mítica e muito louca Todavia. Da qualidade da escrita do autor, marca registrada sua por seu estilo e verve únicos, que falem os que já se deliciaram com as suas histórias, caprichosamente bem urdidas e contadas. Em livros ou fora deles. Então, preparem-se para dar boas risadas com este 1964: O Golpe, o Capitão e o Pum do Maestro, porque rir é ainda o melhor remédio. Mesmo quando se está a tratar de antigas tragédias. Ou tragicomédias. E principalmente quando o Brasil, nos tempos de agora, quase as replica, perigou mesmo as bisar até, sob a ardilosa inspiração e a batuta de um outro capitão tão parvo, tosco e aluado quanto o Ludovico que um dia chegou a Todavia.”
Da minha parte cumpre esperar que o prometido na Sinopse do 1964: o Golpe, o Capitão e o Pum do Maestro corresponda ao tanto quanto do livro esperam os seus leitores. Se isto não se der, e que os Santos e Orixás da Bahia me poupem do dissabor, a culpa é toda minha. Eximo dela, totalmente, todos os da Geração, talentosos como sempre, generosos por demais, que se juntaram ao autor para botar o 1964 nas ruas.
SOBRE O AUTOR
Fernando Vita nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 22 de dezembro de 1948. Lá iniciou os seus estudos. Mudou-se em 1965 para Salvador e em 1973 formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Iniciou sua vida profissional no extinto Jornal da Bahia, onde foi repórter, editor e crítico musical. Foi repórter da sucursal baiana do Correio da Manhã e freelance do Jornal do Brasil e das revistas Veja e Istoé/Senhor. Nos anos oitenta escreveu crônicas semanais para o jornal A Tarde e para o semanário Pasquim. Em 2006, com o romance Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela, Vita recebeu o Prêmio Braskem Cultura e Arte e teve o seu primeiro livro publicado pelo selo Casa de Palavras, da Fundação Casa de Jorge Amado. Pela Geração Editorial, lançou em 2011 Cartas Anônimas, uma hilariante história de intrigas, paixão e morte; em 2016, O Avião de Noé, uma hilariante história de inventores, impostores, escritores e outros malucos de modo geral; em 2019, República dos mentecaptos, uma hilariante história de mandriões, cortesãs, espertalhões e certos valdevinos de modo geral e em 2021, Desirée, a sexóloga que não sabia amar, uma hilariante história de rufiões, garanhões, putanheiros, sacanas e mentirosos de modo geral.
Fonte: Tribuna da Bahia







