Cinco estudantes e um professor da rede municipal de ensino de Salvador estão prestes a viver uma experiência que vai muito além de uma simples viagem internacional. Em novembro, o grupo embarca para Portugal para participar de uma intensa imersão cultural e histórica como parte do projeto “Era uma vez…Brasil”, iniciativa nacional que une arte, educação e identidade em um percurso pedagógico transformador.
O intercâmbio acontece de 5 a 15 de novembro e contará com a participação do professor de História Carlos Augusto Fiuza Ângelo, da Escola Municipal Manoel Henrique da Silva Barradas, localizada em Ilha Amarela. Ao lado dele, os estudantes Hugo Felipe Coutinho dos Santos, Kézia Santana Araújo, Muktaar Aziz, Maria Vitória Barreto e Mayara Kesley Carvalho Santos representarão Salvador em uma jornada de descobertas e trocas com alunos de outras partes do Brasil.
Durante os dez dias em Lisboa, os participantes vão conhecer monumentos históricos, museus e escolas portuguesas, refletindo sobre os laços entre Brasil e Portugal a partir de uma perspectiva crítica e plural da história.
“Muitos deles nunca viajaram de avião, então chegam extremamente emocionados. Eles percebem que Portugal também tem desafios, como o Brasil, e que temos discussões muito avançadas em temas que, muitas vezes, os portugueses ainda estão começando a tratar”, contou a gestora do projeto, Marici Vila.
Mais do que visitar outro país, o projeto propõe uma experiência transformadora que começa muito antes do embarque. Ao longo de 2025, os estudantes participaram de quatro etapas formativas, envolvendo criação de histórias em quadrinhos, oficinas de vídeo e vivências com comunidades indígenas e quilombolas. Cada etapa foi pensada para estimular o pensamento crítico, a valorização da ancestralidade e a expressão artística dos alunos.
Com o tema “Quem conta a nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil”, a 9ª edição do “Era uma vez…Brasil” questiona as narrativas históricas oficiais e convida os estudantes a reescreverem, com suas próprias vozes, a história que muitas vezes foi silenciada.
A proposta do “Era uma vez…Brasil”, desenvolvido pela Origem Produções com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e parcerias das Secretarias Municipais de Educação, é estimular o olhar crítico e provocar perguntas que levem os jovens a compreender, com mais profundidade, quem são, de onde vieram e que futuro querem construir.
“Essa vivência influencia as outras pessoas, e isso é o mais bonito. A autoestima que essa experiência gera nos estudantes se espalha pela comunidade, pela família, pelo bairro. É um movimento que inspira sonhos coletivos”, afirmou Marici.
A supervisora pedagógica da Smed, Ana Paula Teles, acompanha o projeto há algumas edições e reforça a potência educativa do processo. “É um projeto que une arte, cultura e educação de forma muito sensível e profunda. A produção das HQs, os vídeos, as reflexões… tudo é construído de forma crítica, madura e inspiradora. A gente se emociona com o que esses jovens conseguem realizar”, avaliou.
TRANSFORMAÇÃO – Após a experiência em Portugal, os estudantes passarão pela última fase do projeto: criar iniciativas para transformar suas próprias comunidades com base nas vivências adquiridas. Essa etapa final acontece em dezembro e marca o encerramento da edição, propondo que os jovens deixem uma marca concreta de tudo o que aprenderam.
“Eles voltam com sede de mudança. Querem melhorar a comunidade, a escola, a própria vida. O projeto não termina quando eles descem do avião — ele continua através deles”, destacou Marici.
Em edições anteriores, o impacto da viagem foi sentido de maneira profunda pelos estudantes. Pedro, de 14 anos, que participou de uma das edições passadas, resume a experiência como um espelho que reflete o Brasil fora de suas fronteiras.
“Quando fui a uma periferia em Lisboa, achei que estava no Brasil. As casas, a comunidade, a cultura… tudo me parecia familiar. Mas também vi como o Índice de Desenvolvimento Humano lá é diferente. Foi uma oportunidade de aprender mais sobre o Brasil, olhando de fora, de uma nova perspectiva”, contou.
Fonte: Tribuna da Bahia







