Referência na palhaçaria feminina em Salvador, o grupo tem como objetivo pesquisar e difundir a arte do palhaço por meio de criações autorais e releituras de cenas clássicas em espetáculos de rua e cabarés.
Atualmente, é formado pelas palhaças Luiza Bocca, Laili Flórez e Larissa Uerba, além dos músicos Diogo Flórez e Pedro Vieira.
A soteropolitana Larissa Uerba, 39, diz que Se Vira nos 20! é uma grande homenagem à trajetória do grupo. “Também é uma celebração com quem sempre esteve conosco, que é o público. O projeto celebra o protagonismo feminino na palhaçaria, na arte circense”.
“Queremos celebrar o lugar da arte como um lugar democrático, político, social, de acesso a qualquer pessoa. A rua é um palco muito rico. Na palhaçaria, a gente celebra a nossa humanidade”, alinhava Uerba.
Ela conta também que Clássicos, o Filme é mais voltado para a palhaçaria tradicional, mas sempre com a versão da Nariz de Cogumelo. “O espetáculo passou por nova reestruturação cênica e a gente trouxe o lugar cênico do cinema também. É um espetáculo para a família inteira. Que a gente não perca o poder de sorrir pra vida”.
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Ótica feminina

Para a soteropolitana Luiza Bocca, 40, que além de palhaça é produtora, É das Palhaças que Eles Gostam Mais – carro-chefe do grupo – é um espetáculo de releituras, pela ótica feminina, e de rotinas clássicas do circo.
“A gente brinca com o clichê entre o masculino e o feminino, os padrões de gênero. É um espetáculo em que o público joga junto e também cria cenas juntos. Os espaços abertos têm a possibilidade do imprevisível e as pessoas ficam muito à vontade. As variáveis são múltiplas dentro de um espetáculo de rua e isso torna ele muito interessante”, comenta Bocca.
Todo ritmado pela música, É das Palhaças… já foi apresentado também fora do Brasil e é sempre um espetáculo novo, segundo Luiza. “Como é interativo, por mais que você já tenha assistido várias vezes, sempre vai ser algo divertido e diferente, afinal cada lugar, cada público é único”.
Repertório autoral

O Nariz de Cogumelo sempre objetivou democratizar a arte, fazendo com que ela seja acessível ao máximo de pessoas através da circulação de espetáculos por praças e ruas das cidades. A ideia é também atingir diversos e diferentes públicos – em idade, raça, gênero, profissão –, além de lidar com a interação e o inusitado. As apresentações costumam ser uma homenagem à tradição circense brasileira, ao mesmo tempo em que atualizam e reinventam seus números clássicos para dialogar com públicos diversos.
Diogo, 38, responsável pela direção musical das apresentações, conta que esse projeto de levar arte para a rua é muito interessante e bem diferente da proposta de tocar em cima de um palco.
“Os músicos começam um pouco antes das palhaças, já ambientando o local. A gente já esticou os tecidos, as lonas para preparar o espaço, e essa função de estar chamando a atenção das pessoas e criando todo o contexto, a ambientação para o espetáculo, cria uma dinâmica diferente daquela do palco”, sintetiza Flórez.
“A gente usa um repertório muito diverso em questão de gênero musical. Existem citações de algumas músicas populares, que a gente quer trazer para criar esse vínculo com o público. Uma música conhecida cria um vínculo com as pessoas, mas a maior parte da trilha sonora é composição autoral”, complementa o músico.
Durante a circulação comemorativa, o grupo se apresenta com as três palhaças oficiais – Luiza, Laili e Larissa –, além de Diogo Flórez, no violão, e o músico convidado Kedson Silva na sanfona. Programação completa, com dia, horário e local, pode ser conferida no Instagram @narizdecogumelo.
Este projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, Ministério da Cultura – Governo Federal.
Se Vira nos 20!, com ‘Clássicos, o Filme’ e ‘É das Palhaças que Eles Gostam Mais’ / até 16 de novembro / praças e ruas de Salvador, Lauro de Freitas e Itaparica / Gratuito / Programação: @narizdecogumelo
Fonte: A Tarde







