A força da palavra, quando aliada à escuta e ao protagonismo, é capaz de transformar realidades. E foi com esse espírito que a Prefeitura de Salvador reconheceu, neste ano, o talento e o engajamento de estudantes e professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) durante a 5ª edição do Concurso de Expressão Literária e Protagonismo Cidadão — uma iniciativa que incentiva o exercício da cidadania por meio da escrita, da reflexão e do diálogo entre escola e poder público.
A ação, vinculada ao programa A Cidade Somos Nós, premiou com tablets e chromebooks três alunos e três professores da rede municipal que se destacaram com textos originais, criativos e cheios de propósito. A iniciativa representa mais do que um simples concurso literário: ela reforça o papel da escola como espaço de formação cidadã, onde o aprendizado vai além dos livros e se transforma em consciência social.
O concurso tem como missão inspirar a participação ativa dos estudantes na construção da cidade onde vivem, incentivando-os a compreender a importância da transparência, do controle social e da gestão pública. Nesta edição, o desafio lançado aos alunos da EJA foi produzir uma “Carta ao Prefeito de Salvador”, na qual pudessem expressar suas percepções, reivindicações e sugestões sobre políticas públicas, infraestrutura, meio ambiente, cultura e outras questões que impactam diretamente o cotidiano da população.
A adesão surpreendeu positivamente: 119 estudantes da EJA, matriculados em 74 escolas da rede municipal, aceitaram o convite para colocar no papel suas ideias e esperanças para o futuro da capital baiana. Os textos foram avaliados por uma comissão formada por representantes da Controladoria-Geral do Município (CGM) e da Secretaria Municipal da Educação (Smed), que considerou critérios como originalidade, clareza, relevância temática e coerência.
Os três primeiros colocados receberam a premiação junto com seus professores orientadores, reforçando o vínculo entre aluno e educador e reconhecendo o trabalho conjunto de estímulo à escrita e à cidadania. O primeiro lugar ficou com Erilane Alves, de 19 anos, orientada pela professora Adélia Cristina Oliveira, da Escola Municipal Nova Sussuarana. A estudante abordou o tema sustentabilidade, destacando a importância de cuidar do meio ambiente e propor soluções que envolvam a comunidade.
O segundo lugar foi conquistado por Laigian Tosta, de 48 anos, e pela professora Cátia Valentina Góis dos Santos, da Escola 2 de Julho, localizada em Cajazeiras VI. Já o terceiro lugar ficou com Márcia Santos, 50 anos, e a professora Patrícia Teixeira Beninca, da Escola Professor Xavier Marques, em Bom Juá. As cartas, cada uma à sua maneira, refletiram o olhar sensível e atento de cidadãos que, mesmo após a idade escolar regular, seguem acreditando no poder da educação e da palavra como instrumentos de transformação.
Durante a cerimônia de reconhecimento, as alunas tiveram a oportunidade de apresentar pessoalmente ao prefeito o conteúdo das cartas escritas, num gesto simbólico que reforça a essência do projeto: ouvir a população, compreender seus anseios e valorizar a voz de quem participa ativamente da vida pública. O gestor municipal destacou que a iniciativa está em sintonia com o compromisso da administração em estimular a transparência, a educação fiscal e o engajamento popular, pilares fundamentais para uma gestão democrática.
“A Prefeitura tem se destacado nacionalmente pela qualidade da informação e do controle fiscal, e isso tem tudo a ver com o que o programa propõe: uma cidade onde todos participam e fiscalizam. A carta de cada um desses estudantes representa um passo importante para fortalecer essa consciência coletiva”, ressaltou o prefeito.
O subcontrolador geral do município, Rafael Figueiredo, explicou que o concurso é parte de um trabalho contínuo de educação cidadã promovido pela Controladoria-Geral do Município desde 2016.
“Buscamos incutir nos alunos elementos iniciais da participação cidadã, do que é transparência, de prestação de contas e de como eles podem buscar informações e apresentar demandas. A cada edição, trazemos um tema e uma forma de expressão diferentes, justamente para engajar ainda mais os estudantes nesse processo”, afirmou.
Desde sua criação, o programa A Cidade Somos Nós já impactou mais de 14 mil estudantes da rede municipal, estimulando uma relação mais próxima entre o cidadão e o poder público. Em anos anteriores, o concurso explorou outras linguagens artísticas — como cordéis, tirinhas e produções visuais —, demonstrando que há múltiplas formas de exercitar o protagonismo e de se fazer ouvir.
O concurso de expressão literária reafirma o compromisso da Prefeitura em fortalecer a EJA como espaço de formação integral, que combina o ensino formal com a construção da consciência cidadã. A ação também simboliza o reconhecimento da escrita como instrumento de empoderamento, capaz de conectar o indivíduo à comunidade e de transformar ideias em ações.
Em cada texto, o que se viu foi mais do que redações bem elaboradas: foram histórias de vida traduzidas em palavras, marcadas por sonhos, reivindicações e esperanças de quem acredita que participar é o primeiro passo para mudar a realidade. E é justamente nesse diálogo entre o poder público e a população que programas como A Cidade Somos Nós encontram seu maior valo, o de formar cidadãos que pensam, questionam e constroem juntos uma Salvador mais consciente, justa e participativa.
Fonte: Tribuna da Bahia







