Ex-ministro Rui Costa cita queda da evasão escolar para 3% na Bahia durante plenária do PGP em Barreiras

Ex-ministro Rui Costa cita queda da evasão escolar para 3% na Bahia durante plenária do PGP em Barreiras

Em Barreiras, Rui Costa defendeu políticas de permanência escolar, citou dados do Censo Escolar 2025 e associou avanços do Ensino Médio ao Bolsa Presença e ao Pé-de-Meia.

Durante plenária do Programa de Governo Participativo (PGP) realizada neste sábado (27/06/2026) no município de Barreiras, no oeste da Bahia, o ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado Rui Costa (PT) afirmou que a Bahia registrou avanço expressivo na redução do abandono escolar no Ensino Médio, ao citar dados do Censo Escolar 2025 que apontam queda da taxa de abandono de 12,9% para 3% entre 2022 e 2025. O evento reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner, prefeitos, ex-prefeitos, lideranças políticas regionais e pré-candidatos do grupo aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma agenda voltada à escuta territorial e à formulação de propostas para o próximo ciclo político-administrativo do Estado.

Rui Costa associa queda da evasão a políticas de permanência escolar

Durante a plenária, Rui Costa afirmou que a Bahia passou a ter mais estudantes frequentando a escola e concluindo o Ensino Médio. Segundo ele, a redução do abandono escolar representa um dos resultados mais relevantes da política educacional desenvolvida no Estado nas últimas gestões petistas.

Em sua fala, o ex-governador comparou o cenário atual com o período anterior à chegada do PT ao governo baiano. Rui Costa declarou que a evasão no Ensino Médio era próxima de 20% e que, segundo dados recentes, caiu para 3%. A referência ao índice mais antigo foi apresentada como declaração política do pré-candidato; já o percentual atual de 3% consta nos dados recentes do Censo Escolar para a rede pública baiana.

O ex-ministro também destacou o Bolsa Presença, criado em 2021 durante sua gestão no Governo da Bahia, como uma das políticas estaduais voltadas à permanência dos estudantes na escola. Na avaliação de Rui Costa, a experiência baiana serviu de referência para a criação do , programa federal lançado em 2024 com o objetivo de reduzir a evasão no Ensino Médio por meio de incentivo financeiro condicionado à matrícula, à frequência, à aprovação e à continuidade dos estudos.

Censo Escolar aponta melhora simultânea em abandono, reprovação e atraso escolar

Os dados divulgados pelo Censo Escolar 2025 indicam melhora em três indicadores centrais do Ensino Médio público na Bahia. Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono escolar caiu de 12,9% para 3%, enquanto a reprovação recuou de 16,3% para 4,6%.

No mesmo período, a distorção idade-série, indicador que mede o atraso escolar em relação à idade esperada para cada etapa de ensino, diminuiu de 41,3% para 24%. A queda desse índice é relevante porque o atraso acumulado costuma ampliar o risco de abandono, sobretudo entre jovens em situação de vulnerabilidade social, econômica ou familiar.

A evolução simultânea dos três indicadores sugere avanço no fluxo escolar, mas não elimina os desafios estruturais da rede pública. A permanência do estudante no Ensino Médio depende de um conjunto de fatores que inclui renda familiar, transporte, alimentação, acompanhamento pedagógico, infraestrutura escolar, qualidade da aprendizagem e perspectiva concreta de inserção no ensino superior, na educação profissional ou no mercado de trabalho.

Principais indicadores citados

  • Abandono escolar: caiu de 12,9% em 2022 para 3% em 2025;
  • Reprovação: recuou de 16,3% em 2022 para 4,6% em 2025;
  • Distorção idade-série: passou de 41,3% para 24% no mesmo período;
  • Investimento conjunto: Pé-de-Meia e Bolsa Presença somaram mais de R$ 1,5 bilhão em 2025, segundo as informações apresentadas no evento.

Pé-de-Meia e Bolsa Presença entram no centro do debate educacional

Rui Costa atribuiu parte dos resultados à combinação entre políticas estaduais e federais de apoio à permanência escolar. O Bolsa Presença foi concebido para atender famílias de estudantes da rede estadual em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de fortalecer o vínculo com a escola e reduzir o abandono.

O Pé-de-Meia, por sua vez, consolidou em âmbito federal a lógica de incentivo financeiro à permanência no Ensino Médio. O programa funciona como uma poupança educacional para estudantes de baixa renda da rede pública, condicionada a critérios de matrícula, frequência e conclusão de etapas. Na prática, a política busca enfrentar uma das principais causas da evasão: a pressão econômica que leva adolescentes a deixar a escola antes da conclusão da educação básica.

Ao defender os programas, Rui Costa afirmou que a meta não deve ser apenas reduzir o abandono, mas impedir que qualquer adolescente que ingressou no Ensino Médio deixe a escola antes da conclusão. A declaração reforça a centralidade do tema educacional na agenda política do grupo governista, especialmente em um momento de pré-campanha e de construção programática para as eleições de 2026.

Prefeitos são convocados a atuar contra o analfabetismo

Além do Ensino Médio, Rui Costa direcionou parte de sua fala aos prefeitos da região oeste da Bahia. O ex-ministro defendeu atuação municipal mais firme na redução do analfabetismo e na ampliação da qualidade da educação infantil, etapa considerada decisiva para a trajetória escolar futura.

Ao comparar a educação à construção de uma casa, Rui afirmou que uma base mal feita compromete toda a estrutura. A metáfora foi usada para defender investimentos nos primeiros anos da vida escolar, especialmente em creches, pré-escola e alfabetização na idade adequada.

A convocação aos gestores municipais tem relevância administrativa porque a educação infantil é responsabilidade prioritária dos municípios, enquanto o Ensino Médio cabe aos estados. A articulação entre redes municipais, Governo da Bahia e União aparece, portanto, como fator essencial para sustentar avanços posteriores no fluxo escolar e na conclusão da educação básica.

Crítica a Salvador insere educação infantil na disputa política estadual

Durante a plenária, Rui Costa também fez críticas à situação da educação infantil em Salvador. O pré-candidato afirmou que a capital baiana, apesar de ser a cidade mais rica do Estado, teria os piores resultados entre capitais em ensino infantil e oferta de creches.

A declaração foi direcionada politicamente ao grupo que administra Salvador há quase 16 anos e ao ex-prefeito ACM Neto, apontado por Rui como possível adversário do governador Jerônimo Rodrigues na disputa estadual. A fala insere a educação infantil no centro da disputa política, ao comparar a gestão estadual petista com a administração municipal vinculada ao campo oposicionista.

Por se tratar de uma crítica eleitoral, a afirmação deve ser apresentada como declaração de Rui Costa. O material analisado não traz manifestação da Prefeitura de Salvador, de ACM Neto ou de representantes do grupo político citado. Em cobertura jornalística, esse ponto exige acompanhamento e eventual contraponto institucional, especialmente porque envolve indicadores sensíveis de educação básica e avaliação comparativa entre gestões públicas.

PGP reúne lideranças governistas no oeste da Bahia

A plenária do PGP no território da Bacia do Rio Grande integrou a agenda de escuta política e formulação de propostas do grupo liderado na Bahia pelo governador Jerônimo Rodrigues. O encontro em Barreiras contou com participação de Jaques Wagner, Rui Costa, prefeitos, ex-prefeitos, lideranças regionais e pré-candidatos à Assembleia Legislativa da Bahia e à Câmara dos Deputados.

O PGP tem sido apresentado pelo grupo governista como instrumento de participação territorial para recolher demandas e estruturar diretrizes programáticas. No oeste baiano, região marcada por forte dinamismo econômico, expansão do agronegócio, demandas por infraestrutura, desafios sociais e necessidade de ampliação de serviços públicos, a educação aparece como tema estratégico para o debate sobre desenvolvimento regional.

A presença simultânea de Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa reforça a dimensão eleitoral da agenda. Embora o evento tenha caráter programático, a plenária também funcionou como espaço de mobilização política, articulação regional e consolidação de discurso em torno de indicadores sociais considerados positivos pelo campo governista.

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Fonte: Jornal Grande Bahia

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