Ao meio-dia, a imagem de Bom Jesus dos Navegantes chegou à Ponta de Humaitá
O primeiro dia do ano de 2024 começou com muita pensamentos positivos por parte dos baianos mas também com muita fé e oração.
Com o tema “Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Boa Viagem: família, oração e missão“, católicos prestaram diversas homenagens aos santos na tradição que há mais de 200 anos preenche o mar e as ruas da capital baiana de fé.
Milhares de pessoas vestidas de amarelo, e de branco, em sua maioria presenciaram a missa presidida pelo Cardeal Dom Sergio da Rocha, com início às 8 horas na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia. Por volta das 10 horas, começou a procissão terrestre, saindo da Basílica e seguindo até o píer da Capitania dos Portos, local onde se deu o novo embarque da imagem do Senhor Bom Jesus na Galeota.
E foi ao meio-dia em que se deu um dos momentos mais marcantes e fortes desde a data: quando a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes chegou a Ponta do Humaitá e encontrou, mais uma vez, a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, sendo conduzidas em procissão ate a Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem.
Essa bela celebração católica foi iniciada em 1750, e inicialmente, instituída pelos capitães, que no dia 31 agradeciam pelo ano que se despedia e no dia 1º pediam graças e bênçãos a Bom Jesus dos Navegantes para o ano que estava iniciando. Fazia-se, assim, um pedido de proteção ao Bom Jesus. “É um momento muito bonito de fé, mas mais do que isso. Marca o nosso ano novo. É lindo demais presenciar toda essa devoção e esses pedidos por tempos melhores”, comenta Maria Eduarda de Souza, 55 anos.
A origem da procissão marítima do Bom Jesus dos Navegantes, como a de outras festas populares, é imprecisa. Acredita-se que remonta ao século XVIII, época em que o tráfico de escravos negros vindos da África e o comércio marítimo com o oriente eram intensos. Os infortúnios das longas viagens, como as doenças e os ataques dos navios piratas, levaram os marinheiros a buscar a proteção divina do Bom Jesus dos Navegantes, dando início a uma das mais tradicionais festas religiosas da Bahia.
A celebração – cujos preparativos têm início no dia 27 de dezembro, finalizando no primeiro domingo após o dia primeiro de janeiro com uma missa e procissão terrestre – tem seu ápice no primeiro dia do Ano Novo, quando ocorre a procissão marítima. Toda a encenação, envolvendo personagens e locais sagrados relembram os Dramas Litúrgicos, iniciados na Idade Média. Particularmente na Festa do Bom Jesus dos Navegantes identificamos duas personagens – Jesus e Maria – representadas por três imagens distintas: O Bom Jesus dos Navegantes, Nossa Senhora da Boa Viagem e Nossa Senhora da Conceição da Praia. O culto envolve ainda duas importantes igrejas, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Igreja da Boa Viagem, além da Galeota Gratidão do Povo que faz o percurso marítimo transportando a imagem do Bom Jesus.
Histórico – Até Meados do século XIX era utilizada a galeota que pertencia ao Capitão Antônio Cavalcanti Pompeu de Albuquerque para a realização da procissão marítima. A partir daí até o ano de 1890 era utilizada a Galeota Imperial, cedida pelo Estado, para o cortejo. Durante a passagem do cortejo pelo Forte São Marcelo, eram disparados 21 tiros de festim dos seus canhões.
1890 – Com o fim do Império no ano anterior e a conseqüente separação entre a Igreja e o Estado, a festa perde parte do apoio oficial. Os tiros de canhões foram substituídos por dois tiros de projéteis da artilharia que quase atingiram um navio norueguês. Este incidente provocou o rompimento da Marinha com a festa e o fim da utilização da Galeota oficial.
1892 – A Galeota Gratidão do Povo realiza sua primeira Procissão.
1964 – A marinha volta a participar da Festa do Bom Jesus dos Navegantes fazendo a escolta da Galeota Gratidão do Povo.
1972 – A Galeota Gratidão do Povo foi atingida por um foguete que provocou um rombo no seu casco. Os 14 ocupantes foram transferidos junto com a imagem do Bom Jesus para outra embarcação e a Galeota foi rebocada até a praia.
Fonte: Tribuna da Bahia







