Alfabetização e Letramento para Surdos reforça compromisso com a inclusão

Os coordenadores pedagógicos e professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da rede municipal de ensino de Salvador participaram de uma formação sobre Alfabetização e Letramento para Surdos, realizada no auditório do Centro de Formação de Professores Emília Ferreiro, no Costa Azul. O encontro foi promovido pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), em parceria com a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Smed).

A formação reuniu cerca de 60 educadores, incluindo profissionais de municípios vizinhos, e colocou Salvador como representante da Região Nordeste no circuito de capacitações do Ines. O foco do curso foi discutir as práticas de sala de aula voltadas para alunos surdos, aliando teoria e vivências pedagógicas, em uma programação intensa que inclui palestras, dinâmicas, debates e oficinas sobre bilinguismo, letramento e surdez.

 

 

“Estamos trabalhando com alfabetização e letramento, temas fundamentais para a rede municipal, e percebendo o quanto é importante que o professor saiba Língua Brasileira de Sinais (Libras). É importante não falar apenas sobre o conteúdo em si, mas também sobre como o professor deve proceder para que esse processo aconteça de forma efetiva. A alfabetização da criança surda, que tem o português como segunda língua, é diferente e exige preparo específico”, destacou a gerente de Inclusão e Diversidade da Smed, Daniela da Hora.

Atualmente, cerca de 150 alunos surdos estão matriculados nas escolas municipais de Salvador. As unidades contam com intérpretes de Libras, além do suporte do Atendimento Educacional Especializado, oferecido em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Audição (Apada), no Rio Vermelho, e com a Associação Educacional Sons no Silêncio (Aesos), no Imbuí. Essas instituições desempenham papel essencial no apoio à aprendizagem e à inclusão dos estudantes surdos.

Ainda de acordo com Daniela, o investimento na formação continuada dos educadores é um passo importante para garantir que a inclusão se concretize no cotidiano escolar. “Estamos formando alguns professores, mas principalmente os coordenadores pedagógicos, que acompanham o trabalho docente e são multiplicadores dentro das escolas. O objetivo é expandir esse processo para que a inclusão realmente aconteça e que o aluno da sala comum seja atendido nas suas necessidades”, explicou.

A pedagoga Camila Constantino, especialista em surdez, mestre em Diversidade e Inclusão e professora do Ines, ressaltou que o ensino bilíngue é essencial para que os alunos surdos avancem academicamente. “O ensino na perspectiva bilíngue precisa ocorrer para que os estudantes surdos atinjam níveis mais altos de aprendizado, associando teoria e prática. É fundamental que os professores aprendam estratégias adequadas e compreendam que a educação de surdos é diferente da educação de ouvintes”, observou.

VIVÊNCIAS – A formação também tem provocado reflexões entre os participantes. Para Sandra Santos, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Anfilófio de Carvalho, em Periperi, o encontro é uma oportunidade de repensar o papel da escola no processo de inclusão. “A formação nos ajuda a refletir sobre práticas que favorecem o aprendizado dos alunos surdos e aprimoram o trabalho pedagógico. Tenho certeza de que isso vai impactar positivamente o contato com os estudantes e fortalecer o processo de ensino. É um aprendizado que faz diferença na vida dos alunos”, afirmou.

O professor de Libras Evandro Bispo, que atua na Apada e também participa da formação, destacou a importância de compreender a diferença entre Libras e português na alfabetização. “É importante que os professores entendam que devem ensinar Libras como Língua 1 (L1) e o Português como Língua 2 (L2), voltado à escrita. Eu, por exemplo, sou surdo e ensino Libras como L1. Os alunos aprendem e se recordam sobre como aprenderam. O curso tem sido muito rico, porque tanto surdos quanto ouvintes estão trocando experiências e aprendendo novas estratégias pedagógicas”, contou.

A coordenadora de Educação Inclusiva da Smed, Patrícia Anacleto, explicou que os profissionais foram selecionados de acordo com o perfil das escolas e o público atendido. “As gerências regionais identificaram as unidades com alunos surdos matriculados e convocaram os coordenadores pedagógicos dessas escolas. A ideia é que eles atuem como multiplicadores do conteúdo e levem o aprendizado para toda a equipe docente”, destacou.

Fonte: Tribuna da Bahia

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