Catolicismo ainda predomina na Bahia, aponta IBGE

Com 14,1 milhões de habitantes, a Bahia é o quarto estado mais populoso do país. Destes, cerca de 8,5 milhões se identificam como católicos, o que representa 60,3% da população.

Seis em cada dez baianos se declaram católicos. O dado, revelado pelo Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgado ontem, mostra que o catolicismo ainda é a religião predominante na Bahia. No entanto, uma análise mais atenta do conjunto de informações indica um movimento de diversificação religiosa cada vez mais acentuado no estado, com o crescimento das religiões evangélicas, das religiões de matriz africana e da população que se declara sem religião.

Com 14,1 milhões de habitantes, a Bahia é o quarto estado mais populoso do país. Destes, cerca de 8,5 milhões se identificam como católicos, o que representa 60,3% da população. Embora majoritária, essa proporção representa uma queda significativa se comparada aos censos anteriores. Em 2000, por exemplo, 78% dos baianos se declaravam católicos. Em 2010, esse número caiu para 66,1%. A tendência de queda, portanto, se mantém, indicando um processo lento, mas contínuo, de reconfiguração do mapa religioso baiano.

“O catolicismo na Bahia ainda é muito forte, sobretudo por causa das tradições culturais e familiares. Mas há uma clara perda de hegemonia, especialmente nos centros urbanos”, explica José Santana, especialista em cultura popular. Para ele, a Igreja Católica não conseguiu acompanhar com a mesma agilidade o dinamismo das igrejas evangélicas, que têm se expandido rapidamente, sobretudo entre as camadas populares.

De acordo com o Censo, as igrejas evangélicas vêm ganhando espaço na Bahia de forma acelerada. Em 2000, os evangélicos representavam cerca de 12% da população baiana. Em 2010, esse percentual saltou para 21,1%, e no censo de 2022 chegou a 26,9% — cerca de 3,8 milhões de pessoas. Grande parte desse crescimento está associada às igrejas pentecostais e neopentecostais, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus.

“A capacidade de penetração dessas igrejas em territórios vulneráveis é muito grande. Elas oferecem não só uma doutrina religiosa, mas uma rede de apoio e acolhimento comunitário”, acrescenta Santana.

A força das religiões afro-brasileiras é grande na Bahia

Apesar de não aparecerem entre os maiores grupos em números absolutos, as religiões de matriz africana mantêm presença significativa e simbólica na Bahia. O candomblé e a umbanda, por exemplo, concentram o maior número de adeptos no estado em relação ao restante do país. Salvador é conhecida como a capital brasileira dos terreiros, com mais de 1.100 casas catalogadas pela prefeitura.

Para a abian Lúcia Maria Lopes, ser de candomblé é um ato de resistência e de identidade. “Mesmo com o preconceito histórico e o racismo religioso, seguimos firmes”, afirma. De acordo com o IBGE, aproximadamente 1,2% da população baiana se declara adepta das religiões afro-brasileiras, o que representa cerca de 170 mil pessoas. Apesar de pequeno, esse número tende a ser subnotificado devido ao medo de represálias ou estigmatização.

Outro grupo que vem crescendo de forma significativa é o dos que se declaram sem religião. Em 2000, eles representavam apenas 4,6% da população baiana. Em 2010, esse número chegou a 6,7%, e no censo mais recente alcançou 9,8% — ou cerca de 1,4 milhão de pessoas.

“Não ter religião não significa, necessariamente, não acreditar em nada. Muitas dessas pessoas continuam cultivando espiritualidades pessoais, mas rejeitam as instituições religiosas formais”, afirma o historiador João Paulo Almeida. A tendência é mais acentuada entre os jovens, os mais escolarizados e moradores de centros urbanos.

Na Bahia, onde mais de 80% da população se declara preta ou parda, a religião também está profundamente ligada à identidade racial. Estudos apontam que pessoas negras têm mais tendência a se identificar com religiões de matriz africana ou com segmentos evangélicos populares. Ao mesmo tempo, o racismo religioso é uma realidade enfrentada por praticantes de religiões afro.

A pluralidade religiosa na Bahia, portanto, é atravessada por fatores históricos, sociais e raciais. “É fundamental compreender que a religião, no estado, não se trata apenas de fé individual, mas de uma expressão coletiva de pertencimento, memória e resistência”, analisa a professora Maria Clara Ribeiro.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

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