Cesta básica em Salvador é a segunda mais barata do Norte e Nordeste

Em Salvador, na comparação de abril deste ano com o mesmo mês de 2024, o preço da cesta básica caiu 1,25% e acumulou alta de 8,26% nos quatro primeiros meses do ano.

O levantamento divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, entre março e abril de 2025, o custo da cesta básica em Salvador registrou uma queda de 0,23%. Conforme a entidade, o valor médio do conjunto dos alimentos básicos chegou a R$ 632,12, mais caro apenas que em Aracaju (R$ 579,93), no ranking de cidades do Norte e do Nordeste do país.

As elevações mais significativas ocorreram em Porto Alegre (5,38%), Recife (4,08%), Vitória (4,05%) e São Paulo (3,24%); por outro lado, além de Salvador, Brasília (-0,87%) também registrou queda nos preços. Com isso, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 15 das 17 capitais onde Dieese realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

Em Salvador, na comparação de abril deste ano com o mesmo mês de 2024, o preço da cesta básica caiu 1,25% e acumulou alta de 8,26% nos quatro primeiros meses do ano. Por isso, mesmo com algumas reduções nos preços praticados, muita gente ainda sente o peso dos gastos com alimentação no orçamento doméstico, especialmente quando comparado ao ano passado.

“Todo mês é uma surpresa. O café, por exemplo, que não tem como viver sem, só faz subir. A gente faz um esforço para substituir alguns produtos, mas tem coisa que não dá pra trocar. Então, a gente vai sentindo que cada vez sobra menos do salário no fim do mês”, desabafou a aposentada Maria Lourdes da Silva. Segundo ela, uma alternativa é ir mais vezes ao mercado próximo de casa, em busca sempre dos melhores preços.

Segundo o Dieese, a menor oferta global e as incertezas em relação ao tamanho e qualidade da próxima safra brasileira, devido aos impactos climáticos, explicam as elevações do preço do grão de café na bolsa de valores, impacto também sentido no varejo ainda em abril. Dados da entidade apontam que entre março e abril deste ano, o café em pó ficou 4,03% mais caro em Salvador, produto que registrou alta, assim como o tomate (13,33%) e o feijão carioquinha (4,59%).

Questões climáticas também explicam a elevação dos preços de outro item comum na mesa do soteropolitano. Com relação ao tomate, a alta decorre, como explica o Dieese, às chuvas, que atrapalharam a colheita, e ao clima mais ameno nas regiões produtoras, que desaceleraram o ritmo de maturação dos frutos.

Por outro lado, nove dos 12 produtos que compõem a cesta básica na capital baiana tiveram redução nos preços médios: banana (-7,66%), arroz branco agulhinha (-5,26%), carne bovina de primeira (-2,81%), manteiga (-2,68%), leite integral (-2,38%), açúcar cristal (-2,02%), farinha de mandioca (-1,63%), óleo de soja (-1,60%) e pão francês (-0,49%).

A percepção da aposentada, que mora no bairro do Imbuí, reflete o cenário de altas acumuladas. Nos últimos 12 meses, foram observadas elevações nos preços de em seis dos 12 produtos da cesta: café em pó (105,56%), óleo de soja (23,26%), carne bovina de primeira (11,86%), leite integral (11,18%), pão francês (7,24%) e manteiga (0,44%).

Por outro lado, neste período, houve queda nos preços da banana (-24,69%), do feijão carioquinha (-22,59%), do tomate (-15,82%), da farinha de mandioca (-9,71%), do arroz agulhinha (-4,86%) e do açúcar cristal (-4,17%). Esse quadro de oscilações mensais de preço impacta no orçamento, exigindo atenção das famílias na hora de ir às compras.

O professor Jair Silva encontrou uma saída para economizar: ele percorre semanalmente supermercados atacadistas no caminho do trabalho e monitora os preços. Surgindo uma oportunidade, faz a compra do mês, o que, para ele, “tem sido uma forma de equilibrar as contas e manter a geladeira cheia”.

Em abril de 2025, o trabalhador de Salvador, remunerado pelo salário-mínimo de R$ 1.518,00, precisou trabalhar 91 horas e 37 minutos para adquirir a cesta básica, tempo menor do que em março, quando precisou de 91 horas e 49 minutos. Em abril de 2024, quando o salário-mínimo era de R$ 1.412,00, foram necessárias 99 horas e 44 minutos.

Considerando o salário-mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em abril de 2025, 45,02% da remuneração para adquirir os produtos da cesta básica, que é suficiente para alimentar um adulto durante um mês. Em março, o percentual gasto foi de 45,12%; enquanto em abril de 2024, de acordo com o Dieese, o trabalhador comprometia 49,01% da renda líquida.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

 

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