Comércio e serviços devem abrir mais de 100 mil vagas para o fim do ano no país

Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que o comércio e os serviços devem abrir aproximadamente 118 mil vagas em todo o país, sejam temporárias, efetivas, informais e terceirizadas. A expectativa é de contratação de mão de obra para o fim deste ano também na indústria, como aponta Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem): segundo a entidade, devem ser abertas cerca de 630 mil vagas temporárias para a produção de fim de ano, em todo o Brasil.

De acordo com José César da Costa, presidente da CNDL, os dados da pesquisa são muito positivos e as mais de 100 mil vagas abertas representam uma grande oportunidade para profissionais que buscam uma recolocação ou um primeiro emprego, especialmente no setor de vendas. “Além disso, a intenção de efetivação de quase metade dos contratados temporários reforça o papel estratégico dessas contratações para o desenvolvimento profissional e para a economia local”, avalia.

A análise está fundamentada em indicadores como o de que 47% das empresas pretendem efetivar os profissionais temporários após o período e no total, cada empresa deve abrir, em média, 1,9 vaga neste fim de ano. Os dados indicam que entre os que já contrataram ou planejam contratar, metade (50%) deve optar por temporários, com contratos que duram, em média, 2,5 meses — chegando a 2,9 meses nas capitais.

Ainda segundo o levantamento, a maior parte dos empresários (65%) pretende manter o quadro de funcionários para este final de ano, enquanto 23% planejam aumentar a equipe; e apenas 3% indicam uma possível redução. Frente a este quadro, o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, ressalta que, apesar do cenário de instabilidade econômica citado por 32% das empresas que não pretendem contratar, a perspectiva geral é de otimismo.

“O brasileiro está buscando oportunidades, e o mercado está se movimentando para atender a essa demanda. Acreditamos que o segundo semestre será um período de crescimento para os pequenos e médios negócios, que são a espinha dorsal da nossa economia”, conclui Pellizzaro.

Dos empresários entrevistados, 47% também afirmam que precisam reforçar as equipes para dar conta do movimento extra típico da época. Ainda conforme a pesquisa, outros 22% citam a reposição de vagas em aberto por causa da alta rotatividade, enquanto 20% enxergam na contratação uma estratégia para elevar a qualidade dos serviços diante da concorrência acirrada.

O estudo divulgado pela entidade e pelo SPC Brasil também revela que 33% das empresas já contrataram ou pretendem contratar, sendo que, 20% desse grupo ainda não o fizeram, mas têm a intenção. Porém, a maioria, 59%, não deve contratar, especialmente as microempresas com até quatro funcionários.

Intenção de contratação e perfil das vagas

Além disso, 53% pretendem contratar funcionários registrados pela empresa, 41% sem carteira assinada e 18% terceirizados. Entre as vagas que serão abertas, a maioria (87%) é para trabalho presencial. As funções mais demandadas são: vendedor 31% (predominantemente no comércio), cabeleireiro (a) (8%), ajudante (6%), manicure (6%), balconista (6%).

O estudo mostra ainda que 24% pretendem iniciar as contratações em outubro (um aumento de 9 p.p.em relação a 2024), 21% em novembro e 15% em setembro. Quanto à remuneração média oferecida, ela será de R$ 1.819,36. Cerca de 39% das empresas pagarão um salário-mínimo (R$ 1.518,00), e outros 39% oferecerão até dois salários-mínimos (R$ 3.036,00). A jornada de trabalho média é de 7h8min por dia.

Antecipação da produção

Antes mesmo do fim do ano chegar, a Asserttem já previa criação de 600 mil vagas temporárias entre os meses de julho e setembro. Segundo a entidade, as contratações seriam impulsionadas, principalmente, pelos setores da Indústria (45%), Serviços (35%), Comércio (15%) e outros (5%), com destaque para áreas como Alimentícia, Produção, Logística e Automobilística.

De acordo com o presidente da associação, Alexandre Leite Lopes, o terceiro trimestre do ano é um período tradicionalmente de alta demanda das indústrias, que antecipam sua produção para atender às datas comemorativas dos meses de outubro, novembro e dezembro, como o Dia das Crianças, Black Friday e Natal. “Nesse cenário, o regime de contrato temporário se destaca pela rapidez na contratação, haja vista que as agências que oferecem esta modalidade de trabalho possuem um banco de talentos pronto para iniciar o trabalho e atender às demandas das empresas contratantes”, explica.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

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