Crianças aprendem, cuidam e colhem o alimento que vai para a merenda

No Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Baronesa de Sauípe, na Ribeira, o aprendizado ultrapassa as salas de aula e floresce no quintal. Ali, o programa Horta nas Escolas transformou o pátio em um verdadeiro laboratório verde, onde as crianças aprendem sobre o ciclo da vida, o cuidado com a natureza e o valor dos alimentos que chegam ao prato.

A iniciativa, promovida pela Prefeitura de Salvador por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal da Educação (Smed) e a Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), tem mobilizado alunos, professores, gestores e famílias em torno de um objetivo comum: incentivar hábitos saudáveis e a consciência ambiental desde cedo.

No Cmei Baronesa de Sauípe, foram implantadas oito manilhas e cultivadas 120 hortaliças de diversas espécies — entre elas, cebolinha, alface verde e roxa, manjericão, pimenta biquinho e alecrim. A unidade também recebeu uma mangueira de 50 metros e dez pacotes de sementes para dar continuidade ao plantio.

Mais do que ensinar a plantar, o projeto desperta nas crianças o prazer de ver a vida brotar. Cada folha, cada erva e cada fruto que chega à cozinha da escola tem um ciclo de cuidado e responsabilidade — valores que, assim como as hortaliças, crescem junto com os pequenos.

“Esse trabalho de pegar a terra, plantar as mudinhas e vê-las crescer é muito educativo e proveitoso, já que são produtos orgânicos produzidos na própria escola e que podem ser reaproveitados na merenda”, destacou o secretário da Secis, Ivan Euler. “É uma ação transversal que une meio ambiente, sustentabilidade, educação e nutrição saudável”, completou.

A diretora do Cmei Baronesa de Sauípe, Plautila Sousa Neves, reforçou o caráter simbólico e pedagógico da experiência. “Quando pensamos numa horta, pensamos em resgatar a criança e sua conexão com a natureza, em educá-la sobre o processo de plantar o próprio alimento. Aquilo que você planta, cuida e acompanha, você colhe — e isso te nutre não só no corpo, mas também nos valores”, disse.

CUIDADO – O mesmo espírito de aprendizado e cuidado com a terra chegou à Escola Municipal Recanto das Margaridas, localizada no bairro do Jardim das Margaridas. A unidade, que atende crianças de dois a oito anos, foi recentemente beneficiada com a implantação de uma horta e pomar comunitário, com jabuticabeira, goiabeira, mangueira, mudas de legumes e folhas. Com isso, o preparo da merenda escolar passa a contar com alimentos cultivados pelos próprios estudantes, tornando as refeições mais saudáveis e afetivas.

A pequena Sofia Laura da Conceição, de sete anos, mal conseguia esconder a empolgação ao ver as primeiras mudas sendo plantadas. “Vai ser muito legal! Imagine, vamos mexer na terra e colocar a semente da fruta que a gente vai comer na merenda. Não vejo a hora da gente colocar a mão na massa e depois colher as frutinhas”, contou animada.

A ação faz parte de uma série de entregas realizadas pela Prefeitura nos últimos três anos. Ao todo, 38 unidades da rede municipal de ensino já foram beneficiadas com hortas e pomares escolares, implantados por meio da parceria entre a Smed e a Secis.

De acordo com o secretário Ivan Euler, a iniciativa tem um impacto que vai além da alimentação. “Recebemos o pedido da diretora, nos articulamos com a Smed e hoje inauguramos mais uma horta, fruto de um projeto que trabalha o meio ambiente e a sustentabilidade de forma prática e educativa”, explicou o gestor, adiantando que uma nova horta está em fase de finalização no Cmei União da Boca do Rio.

Funcionária da escola, Elaine Costa é mãe de dois alunos da unidade e celebrou o projeto por abordar de forma integrada meio ambiente e alimentação saudável. “É maravilhoso despertar nas nossas crianças a consciência ambiental e a importância de cultivar o próprio alimento. Elas vivenciam o processo, sentem o cheiro, tocam na terra. Meu filho caçula tem microcefalia e adora experiências novas. Tenho certeza que isso vai agregar muito na vida dele”, afirmou.

A coordenadora do Núcleo Especial de Apoio à Primeira Infância (Neapi), da Secretaria Municipal de Governo (Segov), Simone Café, também participou da entrega e destacou a importância da vivência sensorial e do contato direto com a natureza. “Nada melhor do que ter uma horta no ambiente escolar, mostrando aos nossos pequenos que somos responsáveis por cuidar da natureza. O projeto desperta o apreço pelos alimentos saudáveis e, o melhor, cultivados na própria escola”, disse.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

 

 

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