Erupção: obsessão e desejo em obras vulcânicas

Exposição Língua de Fogo mergulha na obsessão da artista, onde fogo, corpo e paisagem vulcânica se fundem em pintura

A artista amazonense radicada em Salvador-BA Anace Lima apresenta sua mais recente produção artística, que transita entre as artes visuais e a literatura, investigando a pintura expandida em diálogo com uma relação animista com o fogo. Sua obra, parte de sua pesquisa como doutoranda em Processos de Criação Artística (UFBA), evoca imagens ígneas, em especial vulcânicas, como metáforas para o desejo, o erotismo feminino e os ciclos de criação, destruição e transformação.

Segundo a curadora Mayã Fernandes: “A proposta curatorial para Língua de Fogo, primeira individual da artista manauara Anace Lima, é levar ao público a percepção de quem assiste à atração da artista pelo vulcão. É estar à espreita de suas obras, testemunhar seu movimento de aproximação da grandiosidade até ser arrebatada por ele, desafiada a viver em seu interior. As obras, que transitam pela figuração, miram de longe essa força da natureza, do mesmo modo que Plínio, o Velho, encarou o Vesúvio com curiosidade e seguiu ao seu encontro.”

A mostra revela uma abordagem animista do fogo, onde as erupções vulcânicas não são meros fenômenos naturais, mas entidades vivas, dotadas de vontade e simbolismo. Nas obras, a lava ganha corpo e movimento, tornando-se extensão do desejo humano — ora pulsante como a carne, ora devastadora como o tempo. Essa visão transfigura a paisagem geológica em narrativa íntima, sugerindo que vulcões, como nós, carregam histórias de criação, fúria e renascimento. A artista não pinta vulcões; dialoga com eles, como se o fogo, em sua imprevisibilidade, fosse um colaborador invisível no processo criativo.

Na visão da curadora Mayã Fernandes, os vulcões, centrais na poética da artista, são “figuras persistentes no imaginário, nos arrastam para a nossa própria pequenez”.

A exposição convida o público a uma reflexão sobre a força primordial do vulcão e sua relação com a existência humana, em obras que mesclam materialidade pictórica e simbolismo. A abertura acontecerá no sábado 09/08, na A Galeria, com visitação até 30/08.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

 

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