Estudantes protestam contra leilão de escolas estaduais à iniciativa privada

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11 de junho de 2026

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15:18

# Estudantes protestam contra leilão de escolas estaduais à iniciativa privada

“Aula pública” contra proposta do governo Leite reuniu alunos de três escolas no Viaduto São Jorge

Lucas Azeredo

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Protesto de estudantes contra o leilão de 98 escolas estaduais. Foto: Lucas Azeredo/Sul21

Os estudantes das escolas estaduais Jerônimo de Albuquerque, Madre Maria Selima e Paulo da Gama trocaram a sala de aula pelas ruas na manhã desta quinta-feira (11). O motivo foi um ato contra o projeto do governo de Eduardo Leite (PSD) que visa transformar 98 instituições de ensino da Rede Estadual de Educação em Parcerias Público-Privadas (PPPs). As três escolas estão na lista das que serão leiloadas.

Leia mais: A manifestação foi organizada pelo Cpers, representada pelo 39º Núcleo, que coordena a região da Capital, com a direção das escolas e os professores. A ideia era fazer uma “aula pública” com os alunos no Viaduto São Jorge, no bairro Partenon.

Das  incluídas na proposta de Leite, 32 ficam na Capital. A chamada “PPP da Educação” prevê que as empresas vencedoras do leilão na B3, em São Paulo, atuem na reforma e adequação das instituições, com contratos de até 25 anos. Serviços de limpeza, merenda e vigilância também estão incluídos na parceria, que vai abranger os ensinos fundamental e médio.

Ou seja: quase tudo vai ser parceirizado, menos a atividade-fim das escolas, que é a pedagogia. Como o Sul21 mostrou em 2024, a iniciativa é  que enxergam a escola como um ecossistema movido por todos os alunos, professores e funcionários que exercem as mais diversas funções no ambiente escolar.

São estimados que R$ 4,5 bilhões serão destinados às empresas privadas. A concessão é dividida por três sublotes, cada um compreende um bloco de escolas. Os sublotes terão custeio médio anual entre R$ 23,1 milhões e R$ 24,8 milhões. O critério para definir o vencedor do leilão será de menor contraprestação pública. O leilão está marcado para 26 de junho.

Rosane Zan no protesto de estudantes contra o leilão de 98 escolas estaduais. Foto: Lucas Azeredo/Sul21

“Nós não queremos que essas escolas, essas 98 escolas, passem para a iniciativa privada”, afirma a presidente do Cpers, Rosane Zan. “Primeiro, eles dizem que é a parte só da estrutura de manutenção das escolas. Depois, pode vir a parte da gestão democrática e, com isso, quem vai administrar a escola será uma empresa”.

“É muito dinheiro que está em jogo. Quando nós falamos em 4,5 bilhões, é sinal de que há muito dinheiro em jogo”, comenta Rosane. Ela salienta que os R$ 4,5 bilhões, se dividido entre as 2.300 escolas do Rio Grande do Sul, poderia oferecer cerca de R$ 150 mil mensais para todas as instituições por um ano. A Escola Estadual Jerônimo de Albuquerque recebe R$ 3 mil por mês do Estado, por exemplo.

“Esse movimento não pode ser somente de nós, professores e funcionários de escola. Esse movimento tem que ser feito com toda a comunidade escolar”, entende a presidente do Cpers. “Nós temos que fazer muito barulho até o dia 26, mostrar para a sociedade que esse ano é um ano eleitoral. Nós temos que dizer qual é a educação pública que nós queremos para o Rio Grande do Sul”.

A deputada estadual Sofia Cavedon (PT-RS) também esteve presente na manifestação e reiterou que o movimento não se restringe a Porto Alegre, e que atos já ocorreram em Santa Maria e São Leopoldo. “Está levantando o Estado inteiro contra esse crime contra a educação”, avalia a deputada.

“A gente sabe que uma empresa, quando pega qualquer coisa, ela quer o que? Lucro. Portanto, ela vai gastar o mínimo que puder com a escola para lucrar muito com o negócio que o Leite e o Gabriel querem fazer”, complementa Sofia. “Por isso nós temos que levantar e dizer ‘a nossa escola não está à venda’”.

Confira mais fotos da manifestação dos estudantes:

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Foto: Lucas Azeredo/Sul21

Foto: Lucas Azeredo/Sul21

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Fonte: Sul21

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