Exposição com fotografias de detentas estreia no MAC

Com fotografias de detentas, a exposição Daqui de Dentro estreou nesta terça-feira, 19, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC), em celebração ao Dia Mundial da Fotografia.

Mais de cem imagens, dezenas de cartas e documentos compõem o acervo exibido, resgatando as singularidades das pessoas privadas de liberdade na Bahia. A exposição é resultado de uma oficina de imagens realizada por uma unidade feminina, organizada pelo Laboratório de Fotografia da Faculdade de Comunicação da UFBA (Labfoto) em parceria com o Núcleo de Estudos sobre Sanção Penal (Nesp) da Faculdade de Direito da UFBA.

Com entrada gratuita, a mostra pode ser visitada até o dia 31 de agosto, das 10h às 20h.

Segundo o professor Rodrigo Rossoni (Labfoto), que também assina a curadoria, o valor da mostra está no diálogo promovido pela fotografia, sobretudo porque, na prisão, essas mulheres não podem escolher — e na exposição, elas escolheram muito.

A exposição inclui fotogramas, pinholes e fotografias digitais ampliadas, e aborda temáticas como imagem, identidade, pertencimento e justiça.

Para a professora Alessandra Prado (Nesp), o projeto também trouxe descontração, criatividade e reflexão sobre Justiça, funcionando como atividade lúdica que fomentou a expressividade dessas mulheres.

Ana*, uma das participantes, expressou sua alegria ao ver sua foto na mostra e se emocionou ao rever familiares no museu: “Foi tudo muito lindo… É muito bom ver esse valor que eles dão.”

As oficinas ocorreram entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, ministradas por Mamirawá, Samara Said, Caíque Silva, Raquel Franco, além da equipe do Nesp.

Caíque Silva destacou que o projeto não busca um olhar predatório, mas sim uma troca, resgatando a humanidade das participantes.

Rossoni afirmou que foi uma experiência formativa memorável para os alunos, marcada pelo contato humano e sensível — em contraponto ao uso impessoal da tecnologia.

As participantes criaram câmeras artesanais, laboratórios de revelação e mapas mentais, e lideraram todo o processo de criação de autorretratos, com escolha de vestuário, acessórios e poses.

Juliana*, que vestiu roupa do Ilê e se sentiu representada em cada detalhe, contou que virou admiradora da fotografia: “Depois dessa, que foi minha primeira experiência com fotografia, agora estou animada para um futuro na arte.”

A mostra é dividida em três fases. A primeira, com imagens etéreas em preto e branco — expressão de identidade ainda nebulosa. Em seguida, mapas de si e depoimentos escritos dão cor à exposição. A transição é simbolizada por uma “caixa mágica”, representando o resgate da identidade, com retratos decididos pelas participantes.

Rossoni resumiu a essência da mostra: mesmo dentro de um sistema que brutaliza, os sorrisos falam — “eu ainda estou aqui”.

Fonte: A Tarde

Postagens recentes