Oito mil alunos com necessidades especiais são assistidos nas escolas municipais

Em Salvador, a inclusão escolar tem se consolidado como um compromisso cada vez mais presente no cotidiano das unidades de ensino da rede pública municipal. De acordo com os dados mais recentes da Secretaria Municipal da Educação (Smed), cerca de oito mil alunos com diferentes tipos de necessidades especiais estão matriculados e recebem acompanhamento pedagógico e apoio especializado. O número expressivo reflete o esforço da gestão em garantir que todas as crianças e adolescentes tenham acesso a uma educação pública de qualidade, inclusiva e sensível às diferenças.

Esses estudantes apresentam Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), altas habilidades/superdotação e deficiências de naturezas diversas. Também fazem parte desse grupo as crianças e adolescentes com Necessidades Educacionais Especiais (NEE), que englobam condições como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia, dislalia e discalculia. Todos esses alunos recebem acompanhamento contínuo, com estratégias pedagógicas adaptadas e apoio técnico que respeita o ritmo individual de aprendizagem.

Para atender às especificidades de cada estudante, a Smed implementa diretrizes pedagógicas baseadas no Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) — um instrumento instituído em 2021 que orienta a identificação, avaliação e intervenção personalizada para cada aluno. O documento é um dos pilares da política municipal de educação inclusiva e tem como objetivo garantir que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma planejada e acompanhada desde os primeiros anos escolares.

Cada estudante possui seu próprio PDI, que integra a pasta escolar e registra todo o percurso educacional, as estratégias adotadas e as metas de aprendizagem. Elaborado desde o ingresso do aluno na unidade de ensino, o plano é de acesso compartilhado entre professores, equipe gestora e família. Essa integração fortalece o acompanhamento e assegura que todas as ações desenvolvidas sejam coerentes com as necessidades de cada estudante.

O caráter colaborativo do PDI é um dos pontos mais valorizados pelo corpo técnico da Smed, uma vez que promove a construção conjunta de soluções pedagógicas e favorece o diálogo constante entre os profissionais da educação e os familiares. Com isso, o documento se transforma em um guia vivo, que orienta o trabalho dos educadores e garante a continuidade das ações ao longo da vida escolar do aluno.

INCLUSÃO – Na Escola Municipal Nossa Senhora dos Anjos, localizada na Avenida Dom João VI, em Brotas, o compromisso com a inclusão se materializa em cada sala de aula. Atualmente, 120 alunos participam da Educação Especial na unidade, que foi totalmente revitalizada e entregue à comunidade em março deste ano. Entre as melhorias realizadas, estão salas exclusivas para atendimento de pais e mães de estudantes da educação especial, um espaço pensado para fortalecer o vínculo entre escola e família e acolher as demandas individuais de cada aluno.

O suporte aos estudantes e às famílias é oferecido semanalmente por uma equipe pedagógica e multidisciplinar, composta por profissionais capacitados que acompanham de perto o desenvolvimento educacional e emocional das crianças. Esse acompanhamento sistemático garante que cada avanço seja reconhecido e cada dificuldade, trabalhada com cuidado e atenção.

A empregada doméstica Georgina França, de 47 anos, mãe de Davi, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), relata a importância do atendimento recebido pelo filho. Segundo ela, o ambiente escolar está transformando a rotina e o desenvolvimento das crianças com necessidades especiais em um processo mais leve e prazeroso.

“Na escola, Davi recebe atendimento certinho. Eles cuidam das aulas, da alimentação, da higiene. A professora dele é um anjo,  aliás, todos os profissionais são maravilhosos. Este suporte faz uma falta danada durante os períodos de recesso”, contou, emocionada.

PARCERIA – A diretora da unidade, Tâmara Batalha, acompanha de perto a rotina dos alunos e reforça que o envolvimento das famílias é uma das bases da inclusão escolar. “Temos muito orgulho de dizer que a inclusão faz parte do nosso projeto pedagógico. Somos uma escola inclusiva e comprometida com a formação integral dos nossos estudantes. Trabalhamos para oferecer o melhor ensino possível, entendendo o papel fundamental que a escola tem na melhoria da qualidade de vida dessas crianças e adolescentes”, afirmou.

Segundo a gestora, a escola realiza rodas de conversa e atendimentos individualizados com pais e mães, criando espaços permanentes de escuta e diálogo. “Essa troca é essencial. A partir dela, conhecemos melhor a história de cada aluno, identificamos demandas específicas e realizamos encaminhamentos a outros serviços municipais, como saúde e assistência social”, explica.

O trabalho conjunto entre escola e família, aliado ao suporte técnico da Smed, tem garantido que o processo de inclusão aconteça de maneira efetiva, com resultados perceptíveis no desempenho e na socialização dos alunos.

Fonte: Tribuna da Bahia

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