A Última Porta : Segundo livro da biografia de Santa Dulce é lançado

Obra mostra o “Anjo Bom da Bahia” como uma personalidade vanguardista e traz histórias que nunca foram contadas

O jornalista e escritor Valber Carvalho lançou, no último dia (12), o livro “A Última Porta – A vida de Irmã Dulce”, no Piso L4 Leste, do Shopping Barra.  A obra é a segunda parte do volume da mais detalhada biografia da freira baiana que se tornou a primeira santa brasileira.

O livro chega três anos após o lançamento do primeiro exemplar do volume, de título “Além da Fé – A Vida de Irmã Dulce”.  Editado pela IRMABEM editora, do próprio autor, esta segunda obra define a história de amor e de misericórdia de Irmã Dulce, além de sua benfeitoria pelas ruas de Salvador.

“Exatamente o Apostolado de Amor e Misericórdia que marcou a existência da Missionária que se tornou Santa por fazer das ruas de Salvador as paredes de sua “Igreja” e por não negar atendimento a pessoa alguma que a procurasse em busca de ajuda”.

Segundo Valber Carvalho,  ambos os livros são resultados de dez anos de pesquisa ‘juntando pontas’.  Essa maratona começou em julho de 2013 e resultou na leitura de 13 mil documentos e 600 entrevistas.

“A história de Irma Dulce tem muitas pontas, ou melhor, tinham muitas pontas que não eram explicadas. Deu um pouco de trabalho porque quando você lida com um personagem dessa magnitude, algumas coisas você tem que provar  para ver se é verdade, para ver se aconteceu ou não”, diz.

A Última Porta – A Vida de Irmã Dulce, é a finalização desse trabalho que o jornalista dedicou anos e horas a fio para concluir com todo preciosismo possível, afinal, é preciso muita responsabilidade para compilar toda a trajetória de uma santa.

Com 39 anos de carreira no jornalismo, Valber conta que durante os quase 78 anos de vida intensa, Irmã Dulce conviveu com muitas autoridades e personalidades, tanto nacionais como estrangeiras, além da Madre Teresa de Calcutá.

Nessa segunda obra do volume, ele traz histórias que até então nunca foram contadas.  A narrativa começa em 1953 e se estende até a Canonização em 2019, trazendo Irmã Dulce com uma riqueza de detalhes.

“Ninguém sabe que a Irmã Dulce passou 10 anos fora da igreja. De 65 a 75. Ela usava o hábito de teimosa porque até isso liberaram ela de usar. Mas tiraram todas as religiosas do lado dela e ela ficou sozinha. Foi nesse período q eu a sociedade civil se encostou mais nela”, revela à Tribuna.

Algumas características são reveladas em A Última Porta – A Vida de Irmã Dulce – Parte 2, mostrando o Anjo da Caridade como uma personalidade vanguardista.  “Ela era rebelde! E o livro é dividido em ciclos de 13 anos. A chamei de rebelde, mas obediente ao amor divino. Ela só obedeceu mesmo a Jesus”, conta.

Para o jornalista e escritor, a rebeldia de Dulce pode ser vista como a rebeldia dos santos mártires. “Se você viesse cobrar ela por não estar chegando no horário que as freiras rezam, no final da tarde, no outro dia ela iria chegar atrasada de novo. É a rebeldia dos santos mártires, que não foram reconhecidos na sua época porque traziam uma mensagem muito vanguardista”, comenta.

Para ele, a maior contribuição desta segunda obra é “fazer com que todos possam entender a Presença Divina através dos inúmeros exemplos de Bondade — que produziam milagres cotidianos”.

Impressão

Impresso em alta qualidade, o livro tem 200 fotografias, muitas delas inéditas, e um sem-número de relatos capazes de surpreender até mesmo àqueles que já conheciam a história de Santa Dulce dos Pobres. Como exemplo, o escritor conta que esmiuçou arquivos nos Estados Unidos e conseguiu os registros da vitoriosa passagem de Irmã Dulce por terras ianques em 1962.  Além de histórias saborosas, ele nos brinda com uma foto da Irmã em Hollywood, num jantar-beneficente em Los Angeles, ao lado de uma famosa atriz à época. O Anjo dos Alagados esteve também na Casa Branca e o bilhete que ela deixou para John Kennedy agradecendo o leite que o presidente católico vinha enviando para o Brasil, e que ela distribuía diariamente para cinco mil crianças dos Alagados, também estão no livro.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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