O faturamento diário tem sido de cerca de R$ 200. O que nos seis dias dá praticamente um salário-mínimo.
Carnaval é folia, mas também é trabalho. Principalmente para os vendedores ambulantes, fundamentais para movimentar a folia momesca. A edição de 2024 do Carnaval de Salvador parece ter rendido ótimos lucros as pessoas que se dedicaram a vender as bebidas e as comidas para os foliões. Apesar de toda polemica envolvendo a passarela montada pela prefeitura de Salvador, nada disso impediu de faturar uma renda extra nos seis dias de folia.
A equipe da Tribuna da Bahia percorreu o circuito Dodô (Barra-Ondina) para conversar com os ambulantes e saber se eles conseguiram ganhar esse dinheirinho extra que, muitas vezes, é a renda do mês destes comerciantes. O casal José de Souza e a sua esposa Maria, são camaçarienses e trabalham no Carnaval da capital há pelo menos 15 anos. Eles em conversa com a Tribuna da Bahia relataram que este ano teve melhorias na estrutura para a vendagem. “A vendagem tá muito boa esse ano. Estamos conseguindo tirar um trocado bom esse ano. A segurança também este ano está muito melhor. Não houve confusão, não corremos nenhum risco de ter o isopor quebrado e nem os fiscais da prefeitura tem pegado no nosso pé. Tá sendo um dos melhores anos para nós comerciantes em questão de estrutura para vender e não correr riscos”, pontuou o casal. Questionado sobre quanto eles lucraram, eles informaram que o faturamento diário tem sido de cerca de R$ 200. O que nos seis dias dá praticamente um salário-mínimo.
Já para a ambulante Jamile Santos, as vendagens não estão como ela esperava, muito por conta do ponto de vendas dela estar na passarela construída para ambulantes na Avenida Oceânica. A passarela, uma das novidades da folia neste ano, também gerou polemicas. A estrutura foi construída em cima da praia do farol da Barra, destinada exclusivamente para a comercialização de bebidas. Essa medida, porém, gerou insatisfação e muitos questionamentos entre os ambulantes, dividindo opiniões e despertando preocupações quanto à segurança. Jamile relatou a equipe os motivos dela não ter tido um faturamento maior na festa. “Rapaz, tá mais ou menos viu? Me obrigaram a ficar aqui nessa passarela, isso afetou minhas vendas. Tenho que reconhecer que melhorou a segurança, tanto para nossos pertences, como para o isopor. Pois se tivesse uma briga, não corria o risco de o isopor quebrar. Mas para poder conseguir vender, precisávamos subir no banco e ficar chamando os clientes. Porque, senão, não venderíamos nada”, relatou a ambulante.
Mas houve também quem escolheu um ponto estratégico para justamente faturar mais com as vendas. Foi o caso de Marilia Ferreira, que estava acompanhada da irmã e da cunhada trabalhando. Em seu primeiro carnaval, elas escolheram o ponto no local onde fica a concentração dos trios elétricos e de acordo com as ambulantes, foi um dos melhores pontos do circuito. “As vendas estão ótimas aqui meu bem. Além de eu não ter problema com isopor, pois não corre risco de aqui ter uma briga, como é onde os trios ficam parados, o pessoal dos blocos vem aqui e compra com a gente, já para iniciar os trabalhos. Com isso faturamos, em média por dia, cerca de R$ 500. E esse ponto aqui foi indicado para a gente, pois, é o primeiro ano que estamos trabalhando na folia”, conclui a vendedora.
Fonte: Tribuna da Bahia







