João Gabriel é arquiteto natural de Jequié e conta com mais de 600 alunos e 120 projetos assinados ao redor do Brasil
Este ano, o profissional também foi destaque na revista “Pequenas Empresas & Grandes Negócios”, da Editora Globo.
Do caminho de terra ao sonho concreto: como arquiteto que cresceu em assentamento se tornou referência na Bahia
O arquiteto conta que cresceu em um assentamento. “Meus pais moravam em uma terra cedida pelo governo e desde criança convivi com os desafios de superar a falta de oportunidades. Lembro que todos os dias caminhava 40 minutos para ir à escola. Cada degrau até o reconhecimento que tenho hoje foi um degrau solitário”, afirma em entrevista ao iBahia.

João Gabriel é filho de feirantes e desde cedo aprendeu a conviver com os desafios causados pela falta de oportunidades. Sua história carrega marcas de uma realidade socioeconômica que hoje serve como incentivo para o seu propósito profissional.
Nas redes sociais, o baiano ganhou destaque a medida em que ia expondo os seus projetos ao mesmo tempo em que revisitava pautas sociais aplicadas ao universo da arquitetura. Além disso, suas postagens também refletiam as vivências e dificuldades enfrentadas como homem negro e gay.
“Desde jovem, sempre senti falta de referências negras em meu contexto social e acadêmico. Durante a minha formação em arquitetura eu estudei em uma faculdade com maioria de alunos brancos e isso me fazia questionar sobre o quão raro era ver pessoas como eu nesse ambiente, já que o curso, muitas vezes inacessível para pessoas negras, reflete também as desigualdades socioeconômicas”, complementa.
A medida em que seu discurso se projetava nas plataformas, o número de seguidores consequentemente aumentava. No X, antigo Twitter, por exemplo, o arquiteto alcançou 71 mil seguidores. Nas outras redes sociais, ele já conta com mais de 30 mil seguidores.
“A arquitetura é mais do que projetos e construções; é um campo de oportunidade, onde hoje luto para abrir caminhos para que mais pessoas negras possam se ver representadas”, afirma o baiano.
“Canto do Gil”: arquiteto de Jequié homenageia Gilberto Gil e cria ambientes inspirados na ancestralidade baiana

Este ano, João Gabriel foi convidado para expor na mostra Casa Cor Bahia 2024, um dos eventos referência no campo do design e da arquitetura no Brasil. Tendo como inspiração a ancestralidade de Gilberto Gil, João apresenta o espaço “O Canto de Gil”, uma experiência imersiva nas raízes culturais negras do Brasil.
“Gilberto Gil, um dos maiores ícones culturais da Bahia e do país, foi a referência principal para essa homenagem, especialmente por sua conexão com a ancestralidade afro-brasileira. A concepção do ambiente foi inspirada pela música “Baba Alapalá” e pela trilogia de álbuns “Refazenda”, “Refavela” e “Realce”, que formam o espírito do projeto”, explica o arquiteto.
Ao entrar no espaço “O Canto de Gil”, os visitantes são recebidos por tons de barro que evocam uma conexão profunda com as raízes da cultura negra. A ancestralidade de Gil é retratada em imagens e símbolos que refletem sua herança cultural e familiar.

Uma árvore, presente no hall de entrada, simboliza essas raízes, enquanto as esculturas e os objetos artesanais brasileiros reforçam a ligação com a terra, “A escravidão interrompeu a história negra, retirando pessoas de suas terras e alterando suas identidades. Como podemos construir o futuro sem conhecer o passado?” reflete João Gabriel. Com essa obra, ele busca ressaltar a importância de olhar para nossas origens para moldar o futuro, alinhando-se ao tema da Casa Cor 2024, “De presente, o agora”.
“Sala Preta”: arquiteto baiano cria mentoria gratuita para ajudar profissionais negros a se inserirem no mercado de trabalho
A Mentoria Sala Preta surgiu como um projeto voltado para arquitetos negros, com o objetivo de capacitá-los em áreas fundamentais da profissão, como posicionamento de mercado, gestão de escritórios e captação de clientes. A mentoria é gratuita e, de acordo com João Gabriel, idealizador do curso, as aulas se estendem por três meses.
“A gratuidade da mentoria é um aspecto essencial, uma vez que muitos jovens arquitetos negros enfrentam barreiras econômicas para acessar recursos profissionais”, afirma o idealizador.

Com 25 alunos já confirmados para a primeira turma, o objetivo é promover a inclusão e diversidade no campo da arquitetura. O arquiteto está em busca de marcas e parceiros para apoiar financeiramente o projeto, ampliando seu alcance a jovens arquitetos de todo o Brasil.
Fonte: iBahia







