A Bahia, especificamente, ocupa a sétima posição no ranking nacional de acidentes, com 17.264 casos registrados em 2024
Um relatório recentemente divulgado pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab) — fruto de parceria entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) — acendeu um sinal de alerta para a precariedade das condições laborais no país. Em meio à proximidade do Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho, celebrado em 28 de abril, os números revelam uma realidade preocupante: a cada menos de quatro horas, uma pessoa morre no Brasil vítima de acidentes relacionados ao trabalho.
A Bahia, especificamente, ocupa a sétima posição no ranking nacional de acidentes, com 17.264 casos registrados em 2024. Um panorama ainda mais preocupante quando se constata que, no estado, um trabalhador ou trabalhadora se acidenta a cada 44 minutos, conforme aponta o desembargador Luís Carneiro, gestor regional do Programa Trabalho Seguro do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA).
“É um número alarmante que exige de nós não apenas ações pontuais, mas uma mudança cultural profunda”, ressalta o magistrado. O estudo também aponta que os principais grupos impactados pela mortalidade são homens entre 18 e 24 anos — muitos deles em seus primeiros empregos — e mulheres entre 30 e 34 anos, sobrecarregadas por duplas jornadas e tarefas físicas intensas. No Brasil, a cada 54 segundos ocorre um acidente de trabalho.
“Pensem! Muitos deles são inexperientes para determinadas funções e, alguns, morreram em sua primeira e única colocação funcional”, afirma a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, especialista em saúde e bem-estar.
Para o desembargador Luís Carneiro, é preciso promover mudança cultural e um pacto social para proteger a vida do trabalhador, tirando o Brasil da quarta posição no mundo em acidentes de trabalho. Não basta, na opinião dele, EPIs. “É necessário cumprir as normas regulamentadoras, investir em capacitação, conscientizar trabalhadores e empregadores e promover um verdadeiro pacto social pela vida. O Brasil ocupar a quarta posição no mundo em acidentes de trabalho não é um dado que nos orgulha”,
Profissões – De acordo com o relatório, as profissões mais afetadas continuam sendo as que exigem esforço físico constante e exposição a ambientes insalubres, como técnicos de enfermagem, alimentadores de linha de produção e faxineiros. Já as lesões mais comuns incluem fraturas, cortes, amputações e queimaduras, muitas vezes comprometendo a capacidade de retorno ao trabalho.
Para Luís Carneiro, a criação de ambientes mais seguros é uma responsabilidade compartilhada e um dos principais desafios é convencer o setor produtivo a priorizar investimentos não apenas financeiros, mas também de tempo e de agenda. “Trata-se de um investimento social que preserva vidas e constrói ambientes de trabalho mais saudáveis e duradouros. É preciso capacitar, cumprir as normas regulamentadoras, como a NR-1, e integrar trabalhadores e empregadores em uma rede de responsabilidade mútua. Saúde e segurança do trabalho são investimentos sociais e não simples custos empresariais”, defendeu.
A médica Ana Paula também aponta o despreparo e a negligência como fatores determinantes. “Se muitos estão morrendo enquanto lemos um texto simples e rápido, imagine quantos estão sendo vítimas de amputações, incapacitações, ou de aposentadorias precoces forçadas”, alerta. Para ela, “a prevenção é sempre o melhor remédio”, e o debate neste mês é uma oportunidade crucial para alertar sobre os riscos do desrespeito às normas de segurança.
Fonte: Tribuna da Bahia







