Bahia registra crescimento nas denúncias e atendimentos à mulher em 2024

A Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, na Bahia registrou um crescimento significativo, com 63.330 casos, o que representa um aumento de 42% em relação ao ano anterior

Todos os dias, mulheres em toda a Bahia enfrentam situações de violência, com muitas sendo vítimas de agressões físicas e emocionais. Enquanto algumas conseguem buscar ajuda, outras continuam em relações abusivas por diversas razões, como vínculos familiares ou dependência emocional.

Em 2024, o número de atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, na Bahia registrou um crescimento significativo, com 63.330 casos, o que representa um aumento de 42% em relação ao ano anterior. Além disso, o número de denúncias de violência contra a mulher na Bahia subiu 11,6%, de 8.143 em 2023 para 9.090 em 2024. Desse total, 8.199 denúncias foram feitas por telefone e 641 por WhatsApp.

Embora muitos casos sejam denunciados pela própria vítima, 3.096 denúncias foram realizadas por terceiros. A maioria dos casos de violência acontece no ambiente doméstico, com 3.847 denúncias ocorrendo na casa da vítima e 2.921 em residências compartilhadas entre vítima e suspeito. A faixa etária mais afetada pela violência é a de mulheres entre 40 e 44 anos, com 1.471 casos registrados. Mulheres negras ou pardas foram as maiores vítimas, com 6.707 denúncias, enquanto os principais agressores foram esposos(as) ou companheiros(as) — ou ex-companheiros(as) — com 2.440 denúncias.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, ressaltou que o aumento significativo nos atendimentos reflete a crescente confiança das mulheres no Ligue 180, serviço que vem passando por diversas melhorias desde 2023. A reestruturação do Programa Mulher Viver sem Violência (Decreto nº 11.431/2023) tem fortalecido o sistema de apoio e combate à violência contra a mulher no país.

Apoio às mulheres na Bahia

Em paralelo, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Bahia oferece suporte contínuo às vítimas de violência doméstica. Camilla Batista, Superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Estado, informou que o estado conta com 40 centros de referência, dos quais 35 estão localizados no interior da Bahia, funcionando por meio de uma parceria entre o governo federal, o governo estadual e os municípios.

“Esses centros de referência possuem equipes compostas por psicólogos, assistentes sociais e orientação jurídica. Em Salvador, temos a Casa da Mulher Brasileira, que oferece apoio completo às mulheres vítimas de violência. Em 2024, a casa realizou mais de 14 mil atendimentos”, disse Camilla.

A Bahia também dispõe de casas de acolhimento, localizadas em cidades como Juazeiro, Feira de Santana e Itabuna, para mulheres que não têm suporte familiar ou social. Esses espaços são vitais para o acolhimento e proteção das vítimas.

Acolhimento durante o Carnaval de Salvador

Para o Carnaval de Salvador, a Secretaria de Políticas para as Mulheres prepara pontos de acolhimento específicos para mulheres vítimas de violência, incluindo importunação sexual e violência doméstica. Entre os locais de apoio, destacam-se o ponto na avenida Milton Santos, próximo à Ondina, que funcionará das 16h às 5h da manhã, e o centro de acolhimento no Pelourinho, localizado no estacionamento da Câmara de Vereadores, que funcionará de 14h até às 2h da manhã. Além desses, outros órgãos, como a Secretaria de Justiça e a Secretaria de Segurança Pública, também terão pontos de acolhimento na cidade, garantindo apoio durante todos os dias de folia.

Compromisso com o enfrentamento da Violência

As iniciativas da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia têm mostrado que, por meio de um esforço conjunto entre o governo estadual, federal e as prefeituras, é possível ampliar a rede de apoio e garantir a segurança e o bem-estar das mulheres. O fortalecimento das ferramentas de denúncia, o apoio psicossocial e a criação de espaços seguros são passos essenciais para garantir que as mulheres tenham acesso a ajuda, principalmente nos momentos de vulnerabilidade.

Essas ações não apenas visam garantir a proteção imediata, mas também contribuir para uma mudança de cultura, encorajando as mulheres a romperem o ciclo da violência e a denunciarem seus agressores sem medo de represálias. O aumento nas denúncias e o crescente uso do Ligue 180 são reflexos da confiança da população na rede de apoio e da luta contínua contra a violência de gênero.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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