A missa, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal Dom Sérgio da Rocha, foi um momento de reflexão e oração para todos os presentes
Com o tema “Fraternidade e Ecologia Integral”, a festa não só reverenciou as imagens de Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Boa Viagem, como também destacou a importância da preservação ambiental e da fraternidade. A festividade é uma das mais importantes do calendário de festas populares da capital baiana e, como sempre, atraiu uma multidão que buscava iniciar o novo ano com fé e gratidão.
A procissão marítima foi um dos momentos mais esperados do dia. A imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes seguiu para a Ponta do Humaitá, onde, como tradição, encontrou-se com a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem. Em seguida, ambas as imagens foram conduzidas em uma procissão terrestre até a Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Este ano, o trajeto seguiu o percurso tradicional, passando por Monte Serrat, Rua da Boa Viagem e Rua da Imperatriz, até a Igreja, revivendo os passos antigos dos devotos.

Foto: Romildo de Jesus
A missa, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal Dom Sérgio da Rocha, foi um momento de reflexão e oração para todos os presentes.
O Dom falou sobre a forte ligação dos baianos com o Senhor Bom Jesus dos Navegantes e sobre a importância da fé na travessia dos mares da vida.
“Podemos dizer que ao longo do ano essa fé vai se fazendo a cada dia, animando a caminhada. Nós iniciamos o novo ano com gratidão. Nosso novo ano se inicia representado pela galeota da gratidão. Isto é, agradecendo pelo ano que terminou, agradecendo pelo ano que estamos iniciando e sabendo que não vamos caminhar sozinhos”, disse o cardeal, ressaltando que, no novo ano, todos caminham juntos, contando com a proteção de Jesus.
Dom Sérgio também lembrou da importância do mar, um dos maiores símbolos da cidade de Salvador. “Nós temos aqui o privilégio de um mar tão bonito. Temos que agradecer a Deus e agradecer pela natureza, pelo mar que aqui está. E olhamos com gratidão, com louvor e com esperança para o novo ano”, afirmou.
Luciana Almeida, devota da festa, destacou a importância de participar da celebração todo ano. “Eu sempre venho começar o meu ano aqui com o pé direito. Desejo tudo de melhor para todos. Que a gente possa se proteger, se amar e se respeitar este ano com muita fé”, disse.

Foto: Romildo de Jesus
O advogado Maurício Santana, também presente, falou sobre a honra de poder participar da festa e da importância da saúde para estar presente em mais uma celebração. “Chegar aqui pleno, olhando para tudo isso com os meus olhos. Tanta gente de fé, de respeito, buscando pelo mesmo. Todos com os mesmos objetivos e muita paz no coração”, contou, aproveitando para desejar um feliz ano novo a todos os baianos. “Que seja um ano muito próspero, de harmonia, amor e muita gratidão em nosso peito”, completou.
A história da festa remonta a 1750, quando as capitãs das embarcações iniciaram a celebração utilizando a galeota do capitão Antônio Cavalcanti Pompeu de Albuquerque para a procissão marítima. Quase um século depois, em 1841, o evento foi mencionado no jornal Correio Mercantil, que convidava a população a participar da festividade.
Até 1890, o Estado fornecia a Galeota Imperial para a procissão, mas, após um incidente envolvendo disparos de canhões, a Marinha interrompeu o uso da embarcação oficial. No ano seguinte, em 1891, o comerciante Agostinho Dias Lima providenciou um escaler para dar continuidade à procissão.
Ainda em 1891, uma nova galeota foi abençoada e batizada de *Gratidão do Povo*. A partir de 1892, essa embarcação passou a ser a oficial da procissão. Em 1972, a Gratidão do Povo foi danificada por um foguete, mas, felizmente, ninguém se feriu.
A Festa de Bom Jesus dos Navegantes continua a ser um momento de fé, tradição e renovação espiritual para todos os baianos, celebrando o início de um novo ano com esperança, gratidão e união.
Fonte: Tribuna da Bahia







