Encontro discute perspectivas do turismo

Prós e contras do turismo em Salvador são temas de discussão com o trade

 Um encontro entre o trade turístico, a Fecomércio-BA e a Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), ontem, debateu perspectivas e desafios da capital baiana para o setor nos próximos anos. O evento fez parte de uma série de atividades realizadas pela Câmara Empresarial do Turismo (CET) da Fecomércio-BA.

Entre as novidades anunciadas pelo diretor de Turismo da Secult, Gegê Magalhães, estão novos voos internacionais,  eventos internacionais, uma Arena Multiuso no Parque dos Ventos e a chegada de novos hotéis: o retorno do Othon e do Meridien pelas mãos da Moura Dubeux Engenharia, a criação do Hotel Rosewood, no Palácio Rio Branco, e a volta do Grupo Espinheira no Convento do Carmo. Magalhães também destacou o surgimento de outro estabelecimento hoteleiro na Cidade Baixa, que está em fase de estudos.  Os prazos ainda não estão completamente definidos.

Na lista de desafios, estão no topo do ranking a melhoria na segurança pública, o crescimento da malha aérea, a capacitação de profissionais e a ajuda aos empresários hoteleiros para se recuperarem das dívidas feitas durante a pandemia.  De acordo com o superintendente da Fecomércio-BA, Nelson Daiha Filho, a malha aérea na Bahia é deficiente e o desenvolvimento dela é essencial para alavancar o trade turístico.

“Tivemos um encontro com o ministro do Turismo, junto com parlamentares. Falamos sobre a necessidade de aumentar essa malha aérea principalmente nos voos internos, dentro do estado, e sobre os horários em que esses voos têm acontecido”, destaca.

Para Daiha Filho, o trade tem caminhado ‘bem’ com a recuperação dos movimentos anteriores, de pré-pandemia, no entanto alguns entraves precisam ser resolvidos. “O saldo ainda é negativo, mas o trilhar tem sido positivo. São alguns entraves que precisam ser resolvidos logo, como a estruturação dos nossos aeroportos. Para se ter uma ideia, a companhia Azul quer operar mais voos, mas não tem aeroportos condizentes e estruturados para fazer a recepção desses voos”, declarou.

Ninguém discorda que Salvador vive um novo momento do turismo, com eventos e equipamentos culturais que tem chamado atenção dos turistas e fortalecido  o setor. Em relação à hotelaria, o desafio é fazer a cidade retomar a quantidade de 30 mil leitos formais, como antes da pandemia. Atualmente, são de 23 a 25 mil leitos formais.

“Hoje Salvador tem um boom imobiliário em pequenos smarts que estão sendo usados para hospedagem alternativa. Salvador mesmo perdendo muitos leitos volta a ter a mesma quantidade que tinha no passado, com as hospedagens formais e alternativas.  Salvador já chegou a mais de 30 mil leitos formais, mais que o Rio de Janeiro. Perdemos muito leito e  hoje deve estar por volta de 23 a 25 mil. A perda foi a pandemia, o fechamento do Centro de Convenções, que foi uma grande perda”, afirma Gegê Magalhães.

Para mitigar os desafios, os representantes do trade destacaram a necessidade de  esforço conjunto entre o setor privado, órgãos governamentais e a comunidade local, buscando sempre melhorar a qualidade dos serviços e a infraestrutura, além de promover a cidade de maneira eficiente e sustentável.

Segundo o coordenador da Câmara Empresarial de Turismo, Glicério Lemos, Salvador é uma cidade que não tem para onde se industrializar e essa realidade aponta para a expansão do turismo.  “A Câmara já existe há 14 anos, nosso objetivo é estabelecer uma interlocução com os empresários e com os governos, para levar demandas, levar sugestões, aplaudir o que está dando certo para que continue”, explica.

Uma das características que aponta a recuperação do turismo soteropolitano pós-pandemia, conforme ele, é a taxa de ocupação hoteleira, que vem demonstrando crescimento. “O termômetro do turismo são as taxas de ocupação hoteleira e todo mês a ABIH expõe as taxas. Então nós estamos ainda, acredito que esse mês a gente se iguala a 2019, mas as nossas empresas estão endividadas e precisamos continuar crescendo essa taxa de ocupação para que essas empresas consigam pagar os empréstimos bancários que foram tomados. Mais de 90% se endividaram por conta de empréstimos”, relata Lemos.

“O diretor de Turismo da Secult, por sua vez, disse acreditar que à medida que os investimentos no setor cultural aumentam, o trade também vai se beneficiando.  Durante a reunião, ele apresentou dados para explicitar as melhorias.  Em termos de equipamentos culturais, a prefeitura de Salvador fez a Cidade da Música, a Casa das Histórias (com mais de 60.800 visitações), a Galeria do Mercado Modelo (53.900 visitações) e  reformou a Praça Cairu.  Ele destacou ainda o fortalecimento da infraestrutura turística, a requalificação dos pontos turísticos, o desenvolvimento de novas atrações, melhoria das vias públicas e mobilidade e a aquisição de quase 300 câmeras de monitoramento  para segurança turística.

“Estamos trazendo, de novidades, equipamentos, números de projeções, eventos nacionais e internacionais que estamos realizando,  novos voos que estamos negociando junto com o estado, o retorno direto para Cabo Verde aumentando a conexão com os países africanos”, afirma Gegê.

Negócios – O turismo de negócios também está no foco da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult).  “O turismo de negócio mostra que temos uma média na baixa estação de quase 70% da ocupação hoteleira batendo todos os recordes. Estamos com esses números altíssimos graças ao setor de negócios”.

Voos de Salvador para Panamá, Santiago e Cabo Verde estão no horizonte

A  ocasião também serviu para apresentar o futuro diretor de Turismo da Secult, Marcio Franco. Ele ficará no lugar de Gegê Magalhães, após 1 ano e 7 meses no cargo. Ele falou dos novos  voos que a pasta, ao lado da Secretaria de Turismo do Estado, busca: Panamá – Salvador através da Copa Airlines. Além desse, também está em diálogo com a Gol para trazer o voo Cabo Verde-Salvador, além do já anunciado em acordo com a Air France, para  Paris.

“O desafio agora é tentar trazer inovação e tecnologia para o setor do turismo. Ainda carece de indicadores e tentamos nessa nova gestão trazer um pouco.  Na semana passada estivemos no Panama ´para fazer defesa do voo junto a Copa Airlines. O Brasil está numa lista prioritária da Copa e o município e a ideia é retomar o voo que era antigamente com duas frequências semanais, para três frequências semanais e 160 assentos. E em 1º de julho trazemos voo direto de Santiago com a Sky Airlines”, contou.

O superintendente da Fecomércio-BA, Nelson Daiha Filho apontou o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, sancionado em maio pelo presidente Lula, como uma saída momentânea da crise.

O programa beneficia  30 atividades econômicas até 2026, sendo que em 2025 a 2026 haverá reduções do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) só para as empresas optantes pelo lucro real. A estimativa do Ministério da Fazenda é que o Perse provoque um impacto aos cofres da União de R$ 16 bilhões este ano.

“Sem dúvida nenhuma o turismo foi o segmento mais impactado com a pandemia e isso ainda não foi recuperado pelo trade, mas precisamos fazer valorização daquilo que vem sendo realizado. Esse momento do Perse, não foi o ideal, mas foi importante para estruturar e fazer com que esse segmento possa respirar e alcançar os números obtidos na sua realidade cotidiana”, declara Nelson Daiha Filho.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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