O título da publicação faz referência ao Tratado de Tordesilhas, que dividiu o Novo Mundo entre Portugal e Espanha, simbolizando as disputas e a cobiça estrangeira que a região amazônica continua a enfrentar
O ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo, lançou na sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), o livro “Amazônia: A Maldição de Tordesilhas”. Sua trajetória na gestão pública, aliada à pesquisa, foi insumo para a produção desta obra, que reúne as convicções do autor sobre a necessidade de proteção ambiental e desenvolvimento econômico, com usufruto responsável dos recursos da região.
“A Amazônia precisa ser, em primeiro lugar, explicada aos brasileiros. Este livro oferece um panorama de 500 anos de história de cobiça internacional sobre a Amazônia, dos desafios atuais, da convivência de três estados paralelos dentro da Amazônia brasileira: o estado oficial, institucional; o estado do crime organizado; e o estado das ONGs internacionais, disputando o poder na Amazônia”, afirmou o autor.
Rebelo, que foi líder do governo, ministro de quatro pastas diferentes e presidente da Câmara, revelou que a função pública oferece um posto de observação privilegiado sobre a realidade do país. “Pude perceber a importância da Amazônia, a fragilidade do Estado Nacional na região. Recentemente, passei quatro meses na Amazônia para pesquisar e preparar este livro”, acrescentou.
Durante palestra realizada no fim da tarde de ontem, no auditório do IGHB, para uma plateia repleta de empresários, acadêmicos e personalidades baianas, o ex-ministro destacou a contradição entre a riqueza natural e os baixos indicadores econômicos da região. “Dos 20 municípios com piores indicadores econômicos, 17 estão na Amazônia. A Amazônia é a região mais rica do mundo, com a maior fronteira mineral, de biodiversidade, de água doce, agropecuária, e nessa região tão rica vive a população mais pobre do Brasil”, ressaltou, apontando as altas taxas de mortalidade infantil, analfabetismo e de doenças infecciosas, especialmente acometendo a população indígena.
O título da publicação faz referência ao Tratado de Tordesilhas, que dividiu o Novo Mundo entre Portugal e Espanha, simbolizando as disputas e a cobiça estrangeira que a região amazônica continua a enfrentar. Rebelo, em sua obra, que já foi traduzida para três idiomas, denuncia as condições de pobreza e a criminalidade que assola a região, criticando a falta de um plano estratégico nacional que considere a Amazônia como uma peça fundamental para o desenvolvimento do Brasil.
“O livro oferece uma perspectiva, que é proteger a natureza, desenvolver a Amazônia, estabelecer a soberania do Brasil e proteger as populações indígenas. O país tem que tomar medidas para esses quatro objetivos”, reforça o autor. Sobre o lançamento em Salvador, Rebelo destaca a importância de estar na primeira capital do Brasil, berço da civilização brasileira, lançando a sua obra em um instituto com tamanha relevância, que teve, entre os seus membros ilustres, um brasileiro como Teodoro Sampaio.
Joaci Fonseca de Góes, presidente do IGHB, destacou a importância da obra e o fato de o seu lançamento ter ocorrido no dia dedicado ao historiador. “Essa obra é extraordinária porque nos orienta a respeito dessa temática de excepcional importância, que é a questão da Amazônia, objeto de equívocos que vem prejudicando sensivelmente o Brasil de um modo geral, e particularmente, os 30 milhões de brasileiros que vivem na região”, afirmou.
Ainda acerca do livro de Aldo Rebelo, Góes pontuou a sua seriedade, linha argumentativa e quantidade de elementos que são aportados para o texto. “Não tenho a menor dúvida que essa obra terá uma importância muito grande para orientar o povo brasileiro de um modo geral, inclusive, as entidades públicas na direção certa de lidar com a problemática da Amazônia”, completou.
Publicado pela Editora Arte Ensaio, o livro conta com o patrocínio da FSB Holding, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Além da capital baiana, a obra foi lançada nas cidades de São Paulo, Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro.
Fonte: Tribuna da Bahia







