Falta de preparo afasta jovens do mercado de trabalho

Embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não tenha ido a campo naquele ano, pelas projeções de Neri a taxa chegou a 29,9%

O pico do número de jovens que não trabalham nem estudam foi no segundo trimestre de 2020, auge da pandemia, na avaliação do economista Marcelo Neri. Embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não tenha ido a campo naquele ano, pelas projeções de Neri a taxa chegou a 29,9%.

“Essa inserção dos jovens no mercado tinha piorado muito até antes da grande recessão. Houve recuperação, mas tudo piorou novamente na pandemia”, diz Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Agora a tendência é de inserção cada vez maior.”

Pelos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua do IBGE divulgada ontem, de fato, o porcentual de jovens que não estuda nem trabalha, os nem-nem, chegou ao seu menor valor em cinco anos: 19,8%.

Pelas contas do IBGE, o número de jovens dos 15 aos 29 anos no Brasil se mantem mais ou menos estável desde 2003, num patamar de 50 milhões de indivíduos. “A tendência até o fim deste século, no entanto, é que esse número caia pela metade”, afirma Neri.

“Ou seja: pelas nossas projeções, vai faltar jovem. Isso é uma péssima notícia para o País, mas uma boa notícia para os mais jovens, que serão disputados pelos empregadores. Essa tendência já se reflete nessa porcentual de nem-nem que chegou ao menor nível da série”, acrescenta Neri Presidente do Instituto Singularidades, Claudia Costin também vê avanços de acesso à educação. “Para além da questão demográfica, a inserção no ensino médio está aumentando. Tirando o período da pandemia, vem aumentando ainda que lentamente”, afirma.

“Isso impacta na redução do número de jovens fora da escola”, acrescenta ela, ex-diretora de Educação do Banco Mundial.

O número razoavelmente estável de jovens pelas últimas duas décadas se explica pela redução do número de filhos por mulher e também pelo aumento da expectativa de vida. No entanto, diz Neri, até o fim deste século, o número de jovens não deve ultrapassar os 25 milhões.

“O problema é que essa mudança demográfica no Brasil é muito rápida; só perde para a China”, afirma o economista. “Hoje, o número de jovens está mais ou menos dentro da média internacional, mas até o fim do século o País terá muito poucos jovens.”

Outra forma de manter um porcentual mais alto de jovens na população é a imigração, como lembra Neri. Em geral, o imigrante é um indivíduo mais jovem.

No entanto, o porcentual de entrada de imigrantes no País é muito baixa, de apenas 0,3% ao ano, muito inferior às taxas da Austrália (20%) ou dos EUA (15%), por exemplo.

Especialistas também apontam a necessidade de adaptar cursos técnicos e graduações para as novas demandas do mercado, que vê transformações impulsionadas pelos avanços tecnológicos e as mudanças climáticas.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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