Radicado no Canadá, Rodney Saint-Éloi pesquisa a literatura feita pelos ameríndios e imigrantes de língua francófona
Nascido no Haiti e radicado no Canadá, Rodney é editor-chefe da Mémoire d’Encrier (Memória de Tinta), editora que publica livros de autores ameríndios (povos indígenas das Américas) e imigrantes de língua francófona. Membro da Academia de Letras do Québec, escreveu, entre outros, ‘Os racistas nunca viram o mar’ (Les racistes n’ont jamais vu la mer, 2021) e ‘Não trairemos o poema’ (Nous ne trahirons pas le poète, 2019).
A mediadora será Licia Soares de Souza, professora emérita da UNEB, que explica que o objetivo é “debater formas comuns de superar os traumas vividos, durante séculos, para transformar o mundo devastado pelos colonizadores”. Ainda de acordo com a escritora e tradutora, o evento é voltado “para todos que se interessam pela literatura migrante, literatura dos imigrantes, estórias de travessias e em especial para quem atravessa o mar e ainda encontra discriminação do outro lado”.
Associada da Université du Québec à Montréal, Lícia Soares de Souza lança, ainda, durante o evento, o livro ‘Como se faz um deserto. Semiosferas do Bioma Caatinga’ (Editora Mondrongo). Também será lançado ‘Signos em transe. Uma fortuna crítica da Semiótica de Licia Soares de Souza’, de Taurino Araújo (Editora ZL Books).
‘Como se faz um deserto. Semiosferas do Bioma Caatinga’ se desenvolve a partir da análise de ‘Os Sertões’, de Euclides da Cunha, na parte A Terra, sobre as queimadas dos colonizadores, que teriam produzido o semiárido, com secas devastadoras. A autora revela como o sertanejo tem sobrevivido na “terra ignota”, além de ter sido confrontado com um dos conflitos mais ferozes da História do Brasil, erroneamente chamado de ‘Guerra de Canudos’. Na obra, são analisadas ainda partes significativas de obras de Santtana, Vargas Llosa, Loures, Veiga, Chiavenato, Martins, Fonseca, Gutierrez.
‘Signos em transe. Uma fortuna crítica da Semiótica de Licia Soares de Souza’ reúne textos de pesquisadores e escritores renomados, e se concentra, sobretudo, na formação de equipes que desenvolveram pensamentos e reflexões sobre temáticas determinadas. No primeiro bloco reagrupa pesquisadores de Minas Gerais, São Paulo e Québec, que trabalham sobre a semiótica de Charles Sanders Peirce. O segundo enfatiza o ensino do francês, mas sobretudo as reflexões sobre uma Literatura Comparada (Brasil/Québec/ América Latina), com bases nas produções da esfera americana, que acolhe produções dos ameríndios e dos afrodescendentes. Participam pesquisadoras como: Zila Bernd e Euridice Figueiredo, Rita Olivieri-Godet, Leonor Abreu, Brigitte Thiérion, Bernard Andrès, entre outros.
Presidente da Academia de Letras da Bahia, Aleilton Fonseca destaca a importância de receber eventos com as temáticas propostas pelo trabalho de Rodney Saint-Éloi e pelas obras a serem lançadas: “A Academia considera que a diversidade cultural nos move no dia a dia, em tempos de necessidade de diálogos e compreensão, nas artes, na literatura e nas culturas em geral”.
SERVIÇO
O QUE: Conferência ‘A arte e a importância da diversidade cultural’, ministrada pelo poeta, escritor e ensaísta Rodney Saint-Éloi; e lançamentos dos livros Como se faz um deserto. Semiosferas do Bioma Caatinga’, de Licia Soares de Souza; e ‘Signos em transe. Uma fortuna crítica da Semiótica de Licia Soares de Souza’, de Taurino Araújo.
QUANDO: 23 de abril, quarta-feira, 18h
ONDE: Academia de Letras da Bahia – Avenida Joana Angélica, 198, Nazaré
QUANTO: Gratuito e com certificado
Fonte: Tribuna da Bahia







