Inúmeros cronistas deixaram seus relatos sobre os festejos de 2 de Julho. Inclusive os mais contemporâneos Odorico Tavares e Jorge Amado. Este último, em seu “Bahia de Todos os Santos”, após destacar que a expressão “foi um Dois de Julho” era usada para descrever, cá entre nós, algo notável ou barulhento ou grandioso, descreveu: “Toda a gente veste roupa branca neste dia e usa braçadeiras verde-amarelas. Nas lapelas e nos obrigatórios chapéus de palha quebrados de lado usam-se folhas de um cróton também verde-amarelas”. Hábitos hoje em desuso.
Jorge também reparou que, apesar do verso que diz que o sol desse dia brilha mais que no primeiro, “a verdade, porém, é que quase sempre chove”. Detalhe referendado pelo viajante francês que descreveu a festa de 1867. “A festa começa na véspera. Já se vê grupos de rapazes e de pretos caminhando pelas ruas seguindo orquestras com bandeiras e tochas. (…) No dia seguinte, ao amanhecer, as pessoas se ocupam em colocar bandeiras nas casas e construir arcos de triunfo nas principais praças. (…) Os dois lados das ruas estão entupidos de baianas com turbantes na cabeça e que cumprimentam os soldados reconhecidos sob a farda”.
E continua: “À noite, o alvoroço da cidade recomeça com mais frenesi ainda. Grupos de pretos percorrem as ruas precedidos de uma tocha, gritando, pulando e gesticulando. (…) A festa teria prolongado-se provavelmente até o dia seguinte se uma tempestade surgida de repente não tivesse obrigado as pessoas a voltarem para casa. Já vi muitas festas nacionais na velha Europa, porém em parte alguma presenciei uma alegria tão expansiva e tão franca”.
Fonte: Metro 1







