Joaci Góes fará palestra sobre IA no mundo juridico

Joaci defende que a crise no Direito brasileiro não se resume ao excesso de processos ou à lentidão. Para ele, há um desordenamento jurídico generalizado, que afeta não apenas os profissionais da área, mas toda a sociedade

A chegada da inteligência artificial ao mundo jurídico promete uma revolução silenciosa, mas profunda, nas estruturas do Direito brasileiro. Essa é a perspectiva que será defendida pelo advogado, jornalista e presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Joaci Góes, durante sua palestra no Seminário Jurídico: Perspectivas Jurídicas sobre as Relações Comerciais, que será realizado no próximo dia 29 de maio, das 8h às 18h, no Auditório Desembargadora Olny Silva, na sede do Tribunal de Justiça da Bahia.
Com o tema “O Papel do Advogado no Mundo da Inteligência Artificial”, Joaci apresentará uma análise sobre o atual sistema judicial e apontará caminhos para o futuro da advocacia diante das transformações tecnológicas. “Poucas coisas são mais condicionantes da vida de um povo do que o seu ordenamento jurídico. E o nosso, como está hoje, é um dos maiores travamentos do desenvolvimento econômico e social do Brasil”, afirma.
Segundo ele, a IA tem potencial para romper com a lentidão estrutural da Justiça e tornar os processos mais céleres e eficazes. Para além da eficiência, a tecnologia poderá devolver dignidade ao sistema, aproximando o cidadão comum da garantia real dos seus direitos, uma vez que a IA chegará para trazer ordenamento jurídico ao país.  “É uma revolução que vamos ver”, afirma.
O excesso de litigância é outro ponto sensível que a IA poderá ajudar a corrigir. Joaci observa que o Brasil estimula o litígio como nenhum outro país do mundo. “O Japão, que é o país mais evoluído do mundo no campo jurídico, só admite 400 advogados para atuar nos tribunais por ano, independentemente do número de formados. Em Salvador, há muito mais advogados que no Japão inteiro. E o Japão resolve conflitos por meio de acordos e não por litígios” , afirma.
Hoje, o Brasil tem mais advogados registrados do que toda a Europa somada, além de Estados Unidos, Japão, China e Índia juntos. “ Por que isso? Para você ter uma ideia, as reclamações trabalhistas no Brasil representam mais de 90% do total das reclamações trabalhistas no mundo inteiro. Isso é uma coisa absurda. O resultado é  uma produção infindável de advogados, um aumento do número de faculdades de direito, que é uma barbaridade”. 
Joaci defende que a crise no Direito brasileiro não se resume ao excesso de processos ou à lentidão. Para ele, há um desordenamento jurídico generalizado, que afeta não apenas os profissionais da área, mas toda a sociedade. A inteligência artificial surgiria, nesse cenário, como uma esperança de reorganização.
Conforme o advogado e jornalista, o impacto da tecnologia também exigirá mudanças profundas na formação dos profissionais. As faculdades também terão que se adaptar. “O sujeito vai ver a importância do conhecimento idiomático, do refinamento,  nesse particular vai haver um retorno. Eu me lembro que Orlando Gomes, que era meu vizinho, diretor da escola de Direito,  me disse uma coisa: ‘esqueça isso de consultar código durante o curso. Você tem que entender o que o Direito significa e a sua finalidade.  Depois você vai ao código para verificar. Hoje o advogado entende do código, da lei, mas não entende do direito”, pontua. 
Joaci reforça que a inteligência artificial não vai substituir o ser humano, mas permitir que as pessoas vivam melhor, inclusive os advogados, que poderão viver com mais dignidade, com melhores salários, com mais tempo para si e para as causas que realmente importam.
Em sua avaliação, a aplicação da inteligência artificial nos sistemas jurídicos deverá gerar uma transformação completa, inclusive com a redução de despesas públicas. “Na Bahia, que tem 417 municípios, a presença da IA permitirá, por exemplo, que um juiz atenda até 40 cidades de forma virtual. Isso reduz gastos e aumenta a velocidade dos processos. A Justiça brasileira é a mais cara do mundo e a IA pode trazer uma redução tremenda de despesas”, destaca.
Segundo ele, os efeitos da mudança serão perceptíveis inclusive na advocacia, que se converterá em área nobre, uma vez que o advogado do futuro terá que ter leitura de mundo, de áreas como sociologia, história, artes. “Então, a leitura dos grandes autores no campo da filosofia, da sociologia, etc, vai ser de fundamental importância para quem queira operar no campo das ciências humanas”, destaca.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

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