Pacto ampliará projeto de Justiça Restaurativa com valores humanos nas escolas

O programa de Justiça Restaurativa com “Cinco Minutos de Valores Humanos nas Escolas”, que oferece, desde 2023, aulas gratuitas sobre ética, educação e paz na unidade Dendezeiros, do Colégio da Polícia Militar da Bahia, será ampliado. Em cerimônia marcada para o dia 19 de novembro, às 9h, no salão nobre do Fórum Ruy Barbosa, os primeiros alunos, professores e militares facilitadores serão certificados e será assinado um termo de cooperação técnica para levar a iniciativa a outras instituições de ensino baianas.

De acordo com Uilma Augusta de Jesus, coordenadora do programa na Bahia, o pacto envolve as secretarias de educação do Governo do Estado da Bahia e Prefeitura de Salvador, além do Poder Judiciário, Defensoria Pública do Estado, Ministério Público do Estado da Bahia e Secretaria da Segurança Pública da Bahia. “A Polícia Militar do Estado da Bahia, em comemoração aos seus 200 anos, inovando com esse projeto, que já foi piloto durante dois anos e é referência hoje no Brasil, estará levando Justiça Restaurativa, com valores humanos, em todas as escolas militares do estado da Bahia”, revela.

Para acesso ao evento, que contará com a presença de autoridades, como o ministro da Educação, Camilo Santana, representantes de diversas entidades e estudantes e familiares, será necessária inscrição prévia através do site: siec.tjba.jus.br/siec/cadastroVisitante. A cerimônia será aberta por Negra Jhô, embaixatriz do Pelourinho, e por cortejo africano.

Pacificação social

A coordenadora do programa, que já atuou na Força Nacional e na direção do Sistema Prisional, detalha que assuntos como a comunicação não violenta são abordados em sala de aula, além da aplicação de dinâmicas, como os círculos de construção de paz. Através de espaços de acolhimento e trocas, é possível a ressignificação de situações de conflito, presenciadas por alunos em seus ambientes familiares e sociais, para que não haja reprodução destes padrões em outros relacionamentos.

Para Uilma Augusta de Jesus, é possível destacar efeitos concretos do projeto na pacificação social, como casos de massacre em escolas que foram impedidos a partir da realização do círculo de construção de paz. Além disso, alunos tiveram mudanças significativas de comportamento e, de passíveis de expulsão, alguns deles, hoje, se destacam em competições nacionais de matemática.

O programa “Cinco Minutos de Valores Humanos nas Escolas” conta com 100 aulas, disponibilizadas gratuitamente na internet (www.cincominutosdevalores.org), e é de autoria da finlandesa residente no Brasil, Saara Nousiaine, junto a uma equipe de pedagogos e psicólogos. Os encontros são ministrados por estudantes e professores, e contam com leitura, perguntas e tarefas de casa.

A juíza Fausta Cajahyba, da 5ª Vara da Infância e da Juventude de Salvador e coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) Justiça Restaurativa, também coordena o programa. Durante as aulas ministradas pelos próprios alunos, escolhidos pelos professores monitores, são disseminados princípios e padrões de comportamento considerados fundamentais para o desenvolvimento moral e ético dos indivíduos e da sociedade.

“Esses valores são vistos como universais e aplicáveis a todas as culturas e sociedades, promovendo a convivência harmoniosa e o bem-estar coletivo. O Programa enfatiza que o amor deve ser a base de nossos pensamentos, ações, sentimentos e compreensões, promovendo valores humanos fundamentais como verdade, justiça, paz, amor e não-violência”, explica.

A magistrada destaca que esses valores, junto a seus desdobramentos (como respeito, gratidão, amizade, empatia, honestidade, gentileza, bondade, sinceridade), ensinados e vivenciados nas escolas, servem de base para formar cidadãos conscientes e responsáveis. Segundo ela, o programa é uma ferramenta prática e conceitual poderosa para a Educação em Valores Humanos.

Além de ter sido convidada a levar o projeto para a ONU no próximo ano, Uilma Augusta de Jesus revela que os alunos estão escrevendo um livro que relata a experiência dos “cinco minutos de valores humanos”, com depoimentos também dos pais e responsáveis.

Para a estudante do CPM Dendezeiros, Gabrielle Vase, monitora do projeto, as aulas ajudaram no relacionamento em sala de aula e desempenho escolar. “Também acabou acarretando em que muitas pessoas deixaram de ter discussões pequenas que se transformavam em grandes discussões, através das aulas de cinco minutos”, afirmou.

Fonte: Tribuna da Bahia

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