Oficinas vão acontecer entre os próximos dias 15 e 16 de abril
Em Salvador, os encontros acontecem de forma presencial. Quem estiver em Feira de Santana, Ilhéus, Juazeiro ou Vitória da Conquista poderá acompanhar tudo direto das unidades do SESI nessas cidades. Além da formação, o programa vai financiar projetos culturais. Podem participar iniciativas nas áreas de artes cênicas, música, artes visuais, audiovisual, humanidades, patrimônio cultural, museus e memória. Cada projeto poderá receber até R$ 200 mil.
As inscrições podem ser feitas até 30 de abril próximo pelo salic.cultura.gov.br.
Segundo a superintendente executiva de Educação e Cultura do SESI, Clessia Lobo, o impacto do programa é significativo para os jovens. “Para os jovens em situação de vulnerabilidade social, esse programa representa uma oportunidade concreta de acesso à cultura, ao desenvolvimento de habilidades artísticas e novas perspectivas de vida. Para os agentes culturais, o programa amplia as possibilidades de financiamento, fomenta a produção artística local e valoriza as expressões culturais da juventude baiana”, afirmou.
Já Armando da Costa Neto, diretor-superintendente da instituição, destaca o diferencial do programa, que está na convergência entre os campos da educação e da cultura, áreas estratégicas para a atuação da entidade. “Quando essas duas áreas caminham juntas, o jovem deixa de ser apenas um receptor de conteúdos e passa a ser um protagonista de sua própria trajetória. Desenvolvem competências como trabalho em equipe, planejamento, comunicação e liderança – habilidades que impactam sua trajetória profissional e pessoal”, explicou.
Para todos
Para a realizar as oficinas, foi pensada uma logística de atuação com unidades-polo em Salvador, Feira de Santana, Ilhéus, Juazeiro e Vitória da Conquista, onde acontecerão oficinas de capacitação presencial e por transmissão ao vivo nos dias 15 e 16. Cada oficina terá três horas de duração e abordará desde a formatação do projeto até sua execução e a prestação de contas.
A ampliação para outras cidades seria uma forma de garantir a diversidade que é exigida pelo edital, de que pelo menos 50% dos projetos incluam públicos prioritários, como mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência. “A proposta é que os projetos culturais nasçam com um propósito social claro: valorizar a diversidade local, promover inclusão e dar visibilidade a vozes historicamente marginalizadas”, explicou Joana Fialho, gerente de Cultura da instituição.
Joana detalhou os conteúdos das oficinas e reforçou que o programa vai além do ensino técnico. Os participantes aprenderão desde o processo de inscrição no edital até a execução e prestação de contas dos projetos. “A capacitação oferece ferramentas práticas e objetivas. Mais do que isso, estimula os participantes a pensarem seus projetos com um olhar voltado para a cidadania, diversidade e transformação social”, afirmou.
Fialho também destacou que o modelo do programa – com financiamento já assegurado – representa um avanço no acesso à Lei Rouanet. “Ao eliminar a etapa de captação, o programa reduz drasticamente a burocracia e democratiza o acesso, permitindo que o foco esteja na qualidade das propostas. Isso pode revelar talentos e estimular a entrada de perfis historicamente excluídos das políticas públicas de cultura”, disse.
Para ela, o Programa também pretende criar redes colaborativas entre os participantes, fortalecendo o ecossistema cultural baiano. “Essa é uma oportunidade de costurar conexões entre territórios distintos, promovendo uma cultura de cooperação que ultrapassa os muros das instituições e chega às comunidades”, reforçou.
A voz da juventude
Entre os públicos contemplados, estão também os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), atendidos pelo SESI. Para Clessia Lobo, a inclusão desse público é importante para reforçar o caráter democrático do projeto.
“Esses alunos passam a ter acesso a conhecimentos técnicos sobre produção cultural, além de uma nova perspectiva de pertencimento e protagonismo. Muitos poderão se tornar agentes culturais em suas próprias comunidades”, observa.
A expectativa do SESI é capacitar até dois mil agentes culturais em todo o estado. Segundo Armando, os desafios logísticos e de acessibilidade digital foram mapeados desde o início, e o programa foi pensado para oferecer suporte contínuo.
“Nosso objetivo é não apenas executar as metas, mas superá-las em termos de diversidade e qualidade dos projetos apresentados. Estamos falando de um investimento na juventude que vai reverberar por muitos anos. A arte tem esse poder de transformar vidas, de fortalecer comunidades e de criar pontes onde antes havia muros. O que está sendo plantado agora pode florescer em formas culturais que ainda nem imaginamos”, aposta Armando da Costa Neto.
Assim como ele, Joana Fialho disse que espera que o programa deixe um legado a longo prazo ao final de sua execução. “A gente espera incentivar uma nova geração de agentes culturais qualificados. Muitos desses jovens e agentes, especialmente os do interior e de contextos periféricos, terão pela primeira vez acesso a esse tipo de formação, o que pode significar uma virada em suas trajetórias pessoais e profissionais”, concluiu Joana Fialho.
Fonte: A Tarde







