Prova do Enem exigirá calma e atenção na leitura

Número de participantes este ano aumentou no estado em relação ao ano passado; veja como se sair bem

Mais de 324 mil estudantes na Bahia estão inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio este ano, cujas provas acontecem neste domingo (5) e no próximo (12). Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (INEP). Somente na capital baiana, são  70 mil pessoas que devem participar da avaliação, que terá 180 questões, divididas em ambos os dias, e uma redação dissertativo-argumentativa.

O número de participantes este ano, tanto na capital como no estado, aumentou em relação ao ano passado (53 mil e 260 mil respectivamente), o que, para especialistas, demonstra maior interesse da população em ingressar no ensino superior após a pandemia e com a retomada de políticas públicas que democratizam e facilitam o acesso à educação.

Agora, às vésperas das provas, quem deposita a expectativa em uma boa avaliação não deve ficar de cabeça quente: entre as dicas e recomendações de especialistas está relaxar a mente, descansar o físico para ter tranquilidade no raciocínio e na leitura, além de3 sair cedo de casa – com o horários dos trajetos do transporte público –  e se alimentar saudavelmente para enfrentar a maratona.

Neste primeiro domingo, serão 5 horas e 30 minutos para responder as 90  questões e escrever a redação dissertativo-argumentativa, parte com preso fundamental na vida acadêmica do aluno.

O pedagogo e mestre em Educação, Manoel Calazans, lembra que será um tempo em que o estudante precisa estar mentalmente bem para a interpretação exigida na maioria dos enunciados, que, aponta ele, “contém uma implicação social muito grande”.

“Importante estar bem tranquilo, nada de muito excesso na reta final. Muita gente por conta do nervosismo faz grandes revisões, passa madrugada estudando. Importante a revisão, mas de forma tranquila. Faça uma caminhada, escute uma música, faça uma meditação, organize seus estudos, mas com uma boa noite de sono”, destaca.

Durante a prova,  o recomendável é ler as questões atentamente, para não prejudicar  a interpretação e o entendimento do enunciado.  Outra dica é seguir a sequência das questões, pulando para próxima quando não conseguir responder, mas depois retornando.  Em caso de não obter resposta, chutar conscientemente, ou seja, por eliminação.

Nessa reta final, Calazans considera  fundamental manter  um olhar atento  “com as questões do nosso tempo e da sociedade”, principalmente para a elaboração da redação que tem grande peso para o aluno.

“Estar antenado com o que a sociedade tem discutido nos últimos dias é essencial diante da implicação social na prova do ENEM. Ao longo dos anos, o ENEM aperfeiçoou a metodologia, são questões interdisciplinares, e a redação ainda é o grande desafio do estudante, inclusive porque, alguns critérios para acesso aos programas federais, toma como referência uma nota mínima da redação”, contextualiza.

Dentre tantos assuntos, podem estar presentes temas como enfrentamento ao racismo institucional, a violência familiar, o papel da mulher na sociedade, o STF e o marco temporal das terras indígenas. Por isso, além de fazer uma ‘revisão tranquila’, passando o olho no que se estudou e organizando as ideias,  ele recomenda acompanhar com visão crítica os telejornais, revistas e sites que são confiáveis. “Qual a sociedade que a gente quer construir também é  importante reflexão”, diz o educador, reforçando a importância desse arcabouço de conhecimento para a redação.

Aumento – O aumento do número de inscritos no ENEM, de 2021 para 2023, é visto como motivo de comemoração por educadores. Em 2021, foram 3,1 milhões, em 2022 foram 3,3 milhões e este ano o número chega a 3,933 milhões de pessoas.

“Hoje esse aumento do número de inscritos, quando a gente compara 2023 com 2022, pode significar a esperança, que os estudantes estão recorrendo ao ENEM por conta da perspectiva de que temos nos próximos anos de reconstrução do cenário da educação brasileira com o fortalecimento do FIES, do aumento na quantidade de vagas do ensino superior e público, então essa esperança repercute na quantidade de inscritos”, destaca o especialista em Educação, Manoel Calazans.

De acordo com o especialista, facilitar o acesso ao ensino superior é um direito garantido. “A gente sabe da importância do ensino superior na vida, na empregabilidade, na busca de um futuro melhor, principalmente nas camadas populares, onde se tem no estudo uma perspectiva de novas portas, de condições de trabalhos mais justas e a gente celebra muito isso”, finaliza.

Redação – A redação continua sendo um desafio. De acordo com o INEP, em 2022 somente 19 inscritos conseguiram alcançar a nota máxima na redação dissertativo-argumentativa Este número apresentou queda consecutiva nos últimos três anos:  2021 foram 22 alunos com a maior pontuação,  e  em 2020 foram 28.

“Tivemos um retrocesso muito grande nos últimos anos em relação à política educacional como um todo, e à política de incentivo do ensino superior, tanto nos instrumentos, mas como na própria crença da importância das universidades. E isso acaba repercutindo negativamente  na vida dos estudantes”, reforça Manoel Calazans, pedagogo e Mestre em Educação.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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