Salvador recebe peças e oficinas do interior baiano a preços populares

O interior da Bahia toma conta do Museu de Arte da Bahia a partir de hoje até domingo, 26, quando o Teatro Vila Velha realiza mais uma edição da Mostra Teatro de Cabo a Rabo, dentro do programa O Vila Ocupa o MAB. Criado em 2002, o projeto promove o intercâmbio entre artistas e grupos do interior, valorizando a diversidade e a força da produção cênica fora da capital.

A programação inclui espetáculos, oficinas e debates gratuitos ou a preços populares, dentro do programa “O Vila Ocupa o MAB”, ação que mantém o Teatro Vila Velha ativo durante o período de reforma do seu espaço físico, com apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Com entrada gratuita ou ingressos a preços populares, a Mostra reafirma o compromisso da Vila com a circulação e valorização da arte feita em toda a Bahia.

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A edição de 2025 celebra os 30 anos do Teatro Popular de Ilhéus (TPI), companhia fundada por Équio Reis. A escolha reforça o elo entre o TPI e o próprio Vila, que desde 1964 atua como um espaço de experimentação e formação.

“A nossa gênese é a mesma e o que nos move também”, afirma Romualdo Lisboa, um dos fundadores do TPI. “Buscamos a diversidade e a ampliação do diálogo com o público. Nossas escolhas estéticas são fruto das nossas escolhas éticas e políticas”.

Espetáculo de abertura

A mostra abre hoje (22/10), às 19h, com o espetáculo Borépetei.Uno, do Teatro Popular de Ilhéus. O título, em tupi, significa “o que contém tudo e está contido em tudo”. Inspirada em reflexões sobre humanidade e ancestralidade, a peça propõe uma viagem simbólica aos povos originários.

“É um espetáculo que diz muito sobre a nossa essência, sobre o que somos e sobre o que acreditamos. Já o apresentamos para diversos públicos, em diversos lugares, e sempre é motivo de alegria poder compartilhá-lo com novas pessoas”, explica Romualdo.

Na manhã seguinte, o grupo realiza a oficina “Desmontando Borépetei.Uno”, conduzida pelo próprio diretor e elenco. A atividade é voltada ao público que assistiu ao espetáculo e apresenta o processo criativo da companhia, suas práticas corporais e vocais e o modo de construção das cenas.

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Debates e reflexões

Além das apresentações, a Mostra traz dois encontros do projeto Fala Vila, criado em 1994 para promover diálogos sobre o campo artístico e social. Amanhã (23), o debate “Sustentabilidade além da(o) capital)” discute a realidade dos grupos do interior e suas estratégias de manutenção.

Já na quinta-feira (24), o tema “O caminho é em rede?” aborda a importância das conexões e colaborações entre artistas e coletivos. Ambos acontecem no auditório do MAB, com entrada gratuita.

Nos dias seguintes, o público confere produções de diferentes regiões do estado. O Grupo Finos Trapos, de Vitória da Conquista, apresenta Néu Amistrongui e o Jegue Apolo (24/10), uma fábula poética sobre um jovem nordestino que sonha em chegar à Lua.

No sábado (25), é a vez de O Salto, da Oca das Artes, do Vale do Capão. Um solo autobiográfico de Ninha Almeida que mistura teatro, circo e dança para tratar de empoderamento feminino e consciência ambiental. A programação encerra no dia 26/10 com Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser, da Cia. Única de Teatro, de Feira de Santana, dirigida por Onisajé. “Akoko Lati Wa Ni fala sobre o tempo e sobre a nossa ancestralidade, em diálogo com o orixá Iroko”, explica Onisajé.

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| Foto: Divulgação

Uma janela para o interior

A diretora Onisajé retorna ao projeto após ter participado de edições anteriores com o Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA). Desta vez, ela conduz a Cia. Única de Teatro, de Feira de Santana, e celebra a retomada da Mostra. Segundo conta, o reencontro com o Teatro de Cabo a Rabo tem um significado especial. “Fiquei muito feliz quando Chica Carelli me enviou a divulgação da retomada, porque foi esse projeto que trouxe o NATA para Salvador pela primeira vez, com o espetáculo Perfil: Só Vendo para Crer”, lembra.

Para a diretora, a participação do grupo no projeto, em 2004, marcou uma virada de chave em sua trajetória e na de seus parceiros de Alagoinhas. “A vinda para Salvador transformou nossa carreira e a forma como enxergávamos o fazer teatral, que até então estava muito concentrado na nossa cidade”, conta.

Onisajé destaca ainda a importância do projeto para a valorização do teatro produzido fora da capital. Ela afirma que o Teatro de Cabo a Rabo “Faz o interior ser visto pela capital e ajuda o artista interiorano a compreender e ampliar seus horizontes”, ao colocá-lo em diálogo com um circuito profissional mais estruturado.

Ao falar da nova geração de artistas da Cia. Única, Onisajé revela um sentimento de orgulho e continuidade. “É uma participação poderosa, me faz sentir adulta no sentido simbólico. Eles são muito jovens, e vê-los passando pela mesma jornada que vivi com o NATA é emocionante. Sinto que vai acontecer com eles o que aconteceu conosco lá em 2004”, diz.

Para ela, o projeto é essencial e deveria ter continuidade permanente. “Não existe outra janela como essa na cena teatral da capital, que dê ao interior a visibilidade que o Teatro de Cabo a Rabo proporciona”, afirma.

 

 

 

Fonte: A Tarde

 

 

 

 

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